- A Vinland Capital zerou cerca de 90% das posições de risco em sua estratégia multimercado, adotando uma postura mais conservadora diante da volatilidade causada pela guerra no Oriente Médio.
- A gestora informou que zerou posições que se beneficiavam de queda de juros futuros no Brasil e de enfraquecimento do dólar, mantendo exposição reduzida enquanto persistirem as incertezas.
- O petróleo Brent subiu mais de 30% desde o início do conflito, com movimentos puxados por dúvidas sobre um acordo entre EUA e Irã.
- No Brasil, houve alta das taxas de juros futuros e intervenções do Tesouro Nacional para manter liquidez e estabilidade por conta da aversão ao risco.
- O gestor José Oswaldo Monforte sinalizou que, mesmo com a percepção de possível fim do conflito, a Vinland não alterou sua estratégia e vê oportunidades, inclusive em câmbio, caso o apetite por risco retorne.
A Vinland Capital reduziu as posições que se beneficiavam de a queda das taxas de juros futuros no Brasil e de um enfraquecimento do dólar, em resposta aos impactos da guerra no Oriente Médio nos mercados globais. A gestão mantém postura mais conservadora enquanto persistem as incertezas.
Desde o início do conflito, a gestora tem mantido baixos níveis de exposição a risco em sua estratégia multimercado. O objetivo é reduzir volatilidade e evitar perdas maiores diante de movimentos abruptos no cenário global, segundo o gestor José Oswaldo Monforte, que administra a casa com ativos de aproximadamente R$ 16 bilhões.
A avaliação parcial é de que a guerra pode estar perto de uma inflexão, mas isso não altera a estratégia adotada pela Vinland no momento. Monforte afirma que houve zeramento de grande parte das posições de risco para efeito prático, atingindo cerca de 90% dessas posições.
Panorama de mercados e riscos
O petróleo Brent registrou alta superior a 30% desde 28 de fevereiro, data que marca o início do conflito. Movimentos recentes refletem dúvidas sobre um possível acordo entre EUA e Irã, o que influencia fluxos globais de capitais e premissas de política monetária.
Nos Estados Unidos, a inflação gerada pelo choque de oferta pressionou traders a abandonarem apostas em cortes de juros, enquanto a Europa viu fluxos para ativos que lucram com altas de taxas. No Brasil, houve avanço das taxas do DI futuro, com a curva embutindo menos de 3 p.p. de cortes esperados antes da guerra, e ajuste acelerado por ordens de stop-loss.
O Banco Central citou, em ata, forte aumento da incerteza e recomendou cautela. A influência dos choques de oferta no cenário global impacta a volatilidade local e a liquidez dos títulos públicos no Tesouro Nacional, com intervenções para manter o funcionamento do mercado.
Oportunidades e câmbio
Apesar da instabilidade, a Vinland identifica oportunidades em câmbio, com o real apresentando desempenho robusto perante o cenário conturbado. A gestora avalia a possibilidade de estudar instrumentos cambiais à medida que o apetite por risco retorna aos mercados.
Monforte indica que a discussão sobre o fim do conflito é descritiva, não determinante para a estratégia. A Vinland considera cenários e conjuntos de oportunidades caso haja descompressão no ambiente geopolítico, sem tomar decisões baseadas em previsões.
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