- O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, diz que a alta recente do petróleo deve pressionar a inflação e frear o crescimento, em um cenário global mais desafiador por tensões geopolíticas no Oriente Médio.
- Segundo ele, o aumento tem natureza de choque de oferta (falta de produto), não de melhora na demanda, o que tende a gerar inflação acima da meta e menor expansão econômica.
- O BC tem adotado postura cautelosa, incorporando os efeitos gradualmente para entender impactos da guerra no Oriente Médio e evitar reagir de forma precipitada.
- No Brasil, Galípolo destacou vantagem de ser exportador líquido de petróleo, mas ressaltou que derivados importados ainda influenciam preços internos; o país também se beneficia de juros mais elevados.
- A Selic foi reduzida de 15% para 14,75% ao ano na última reunião do Copom, em 18 de março, porém o BC sinalizou tolerância menor à inflação diante do cenário externo instável e da inflação de petróleo.
Nesta segunda-feira, 30, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que a alta recente do petróleo tende a pressionar a inflação e frear o crescimento global, em meio a tensões geopolíticas relacionadas à guerra no Irã. O cenário importa para a política monetária brasileira, que vê riscos externo aumentados.
Ele explicou que o atual aumento no petróleo difere de ciclos anteriores porque não é impulsionado pela demanda, mas por restrições de oferta. O efeito esperado é inflação mais alta e menor expansão econômica.
O BC tem adotado uma postura gradual para permitir entender os impactos de cada evento, inclusive do conflito no Oriente Médio. A estratégia visa evitar volatilidade excessiva no curto prazo.
Cenário internacional e petróleo
Nesta sessão, o petróleo subiu mais de 2%, com o Brent próximo de US$ 115 por barril e o WTI acima de US$ 101. A alta alimenta apreensão entre investidores sobre impactos no fornecimento global.
A elevação ocorre em meio a tensões no Oriente Médio, que elevam o risco de persistência de preços elevados de energia e de impactos inflacionários em diferentes economias.
Brasil, posição relativa e política monetária
Galípolo destacou que o Brasil, apesar das adversidades internacionais, permanece em posição mais favorável por ser exportador líquido de petróleo. Importa derivados, o que ainda influencia os preços internos.
O presidente do BC ressaltou também que o juro real brasileiro permanece entre os mais elevados do mundo, contribuindo para a posição comparativa favorável. Em 18 de março, o Copom reduziu a Selic de 15% para 14,75% ao ano.
Segundo a ata do Copom, a guerra elevou as expectativas inflacionárias acima da meta de 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%. O BC sinalizou que o ritmo de queda dos juros deve ser mais lento e manteve cautela diante do cenário externo.
Efeitos da política monetária
Mesmo com o recuo da Selic, o movimento ainda é considerado o maior patamar em 20 anos. Galípolo afirmou que os juros elevados já afetam o crédito, especialmente nos setores mais dependentes de financiamento.
A transmissão da política monetária, segundo ele, ocorre de forma gradual, resultando em desaceleração do crescimento, em especial nos componentes cíclicos da economia, como consumo e investimento.
Entre na conversa da comunidade