- As ações da Microsoft recuaram 36% desde o pico histórico de outubro de 2025, e o primeiro trimestre de 2026 pode ser o pior desde 2008.
- O movimento reflete ceticismo sobre o retorno dos grandes investimentos em IA e sobre pressões de preços e margens vindas de OpenAI e Anthropic.
- O Copilot tem receita estimada entre US$ 1,4 bilhão e US$ 3,2 bilhões em 2025, com adoção de apenas 2% a 3,3% dos 450 milhões de usuários comerciais do Microsoft 365.
- Claude, da Anthropic, tem ganhado participação maior no mercado corporativo, com até 40% em menos de dois anos, destacando-se pela capacidade de gerar trabalho autônomo com baixa necessidade de supervisão.
- Analistas mantêm visões divergentes: potencial de valorização elevado, mas dúvidas sobre ROI, dependência de um ecossistema fechado e o ritmo de crescimento da IA da empresa.
A Microsoft enfrenta sinais de desgaste em seu impulso de IA. As ações recuaram 36% desde o pico de outubro de 2025, segundo dados de mercado. O trimestre de 2026 pode ser o pior desde 2008, quando o setor caiu 27%. O recuo reflete dúvidas sobre retorno do investimento.
Analistas destacam dois temores: investimentos crescentes em IA sem crescimento proporcional, e a pressão de margens pela concorrência da OpenAI e da Anthropic. A companhia afirma que pode gerar retorno ao reduzir o custo total de propriedade para clientes.
A empresa sustenta que oferece softwares que diminuem o TCO, mantendo uma base ampla de clientes. O CEO Satya Nadella disse, em reunião com analistas, que o software permite retorno sobre o capital investido com gestão de TCO e uso eficiente.
Entre 2025 e 2026, a expectativa de retorno não se materializou. Mesmo com projeções de valorização de até 57% por parte de Wall Street, algumas análises permanecem céticas quanto à capacidade de manter clientes integrados a muitos serviços.
Desempenho do Copilot e a competição com Claude
A Microsoft investiu cerca de US$ 13 bilhões na OpenAI e gasta aproximadamente US$ 30 bilhões por trimestre em infraestrutura de IA. O Copilot não entregou o retorno esperado; estima-se que a receita anual de 2025 tenha ficado entre US$ 1,4 bilhão e US$ 3,2 bilhões.
O Claude, da Anthropic, vem elevando a participação da IA corporativa de 18% para cerca de 40% em menos de dois anos, segundo avaliações de mercado. Claude é visto como mais estável para tarefas complexas, com maior janela de contexto.
A empresa admite, de forma indireta, que Claude entrega maior valor para clientes que buscam automação avançada e confiabilidade. O Copilot continua oferecendo preço inicial menor, mas com custos adicionais por licença.
Retorno financeiro e perspectivas
O Copilot exige licenças adicionais de Microsoft 365, elevando o custo por usuário ativo mensal quando utilizado em larga escala. Em contraste, Claude demonstrou ganhos de produtividade na prática e redução de custos de programação em projetos.
Analistas divergem. Alguns veem o potencial de recuperação com a IA como investidor paciente. Outros destacam o risco de migração dos clientes para fornecedores independentes de IA, caso as soluções não demonstrem vantagem competitiva.
A avaliação geral aponta que o mercado continua otimista, mas a Microsoft precisa mostrar velocidade na geração de receita com IA para sustentar o crescimento e reduzir a dependência do ecossistema fechado.
*Reportagem originalmente publicada em Forbes*
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