- O Reino Unido alterou o imposto sobre herança para ativos de empresas familiares, com alíquota efetiva de vinte por cento após o fim da isenção anterior, a partir de 6 de abril de 2025.
- As mudanças estimulam doações antecipadas e reestruturações de participações antes do início do próximo ano fiscal, para aproveitar a isenção ainda em vigor e reduzir encargos futuros.
- Famílias com fortunas grandes já transferiram ações para filhos ou para fundos patrimoniais, incluindo a família Weston, proprietária da Fortnum & Mason.
- O governo aumentou a isenção de propriedades comerciais e agrícolas de um para dois milhões e meio de libras, com previsão de arrecadar cerca de 300 milhões de libras por ano até o fim da década.
- Empresas familiares correm para se reorganizar, com aumentos de dividendos, doações e uso de holdings para facilitar a gestão da riqueza e a sucessão intergeracional.
Familias ricas do Reino Unido aceleram a transição de riqueza diante de mudanças no imposto sobre herança que entram em vigor em abril. O movimento envolve donos de empresas familiares, aristocratas imobiliários de Londres e herdeiros de grandes fortunas, que adiantam doações e reestruturam participações para reduzir impactos fiscais.
As mudanças entraram em vigor a partir de segunda-feira, após o anúncio da chanceler Rachel Reeves no fim de 2024. O governo britânico eliminou a isenção total de ativos de empresas para o imposto sobre herança, elevando a carga para 20% na maioria dos casos após o fim da antiga isenção.
Entre os impactos, proprietários de negócios familiares já avaliam como reorganizar ativos, doando parte de participações ou transferindo para fundos familiares. A medida busca reduzir riscos e incentivar estratégias de longo prazo em empresas fechadas.
Fontes do setor apontam que a reforma não apenas aumenta a pressão fiscal, mas também estimula mudanças estruturais. Muitos planejam doações antes de 6 de abril, data que marca o início do próximo ano fiscal no Reino Unido, desde que o doador permaneça vivo por sete anos.
O movimento é mais evidente entre a aristocracia fundiária, fornecedores de serviços e grandes famílias empresariais. A prática vem se intensificando nos últimos 18 meses, com o objetivo de proteger patrimônios familiares diante das novas regras.
A família Weston, proprietária da rede de lojas Fortnum & Mason, detalhou recentemente a transferência de riqueza entre gerações. Outros grupos, como Mawdsley e Rausing, também passaram a transferir participações para fundos familiares.
Especialistas lembram que o novo regime prevê uma alíquota efetiva de 20% sobre heranças de empresas familiares, após o término da isenção anterior. Isso incentiva ações como doações antecipadas e reestruturações societárias.
Alguns executivos e advogados atuam para orientar clientes na adaptação, destacando que esse processo pode favorecer governança e planejamento de longo prazo. A complexidade das regras estimula consultorias especializadas.
Em relação aos impactos no mercado, observa-se a transferência de participações para entidades corporativas que funcionam como acionistas, prática que se tornou comum entre proprietários de empresas familiares. O objetivo é facilitar a gestão da riqueza.
Dados indicam que mais de 20 mil empresas britânicas registraram mudanças semelhantes, com proprietários abrindo mão de participações pessoais para entidades, visando planejamento sucessório mais estável. As autoridades aguardam desdobramentos.
O governo também elevou, em 2025, o limite de imposto sobre herança para propriedades comerciais e agrícolas, de 1 milhão para 2,5 milhões de libras. A expectativa é que a medida gere receitas de cerca de 300 milhões de libras até o fim da década.
A reforma, parte de pacote de medidas pós-eleição de Keir Starmer, visa fechar brechas no sistema fiscal. Agricultores, empresários e proprietários de grupos familiares respondem com planejamento tributário para mitigar os impactos.
Pesquisas internas mostram que proprietários de empresas familiares já tomaram ações como cortes de pessoal, investimentos e doações de caridade. A tendência é manter o controle de ativos por meio de estruturas societárias.
Para o setor, a aceleração de planos de sucessão tem sido uma das respostas mais imediatas. Movimentos de doação e reestruturação devem continuar enquanto as regras entram plenamente em vigor e novas decisões são avaliadas.
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