- A governadora do Banco Central, Michele Bullock, afirmou que os australianos ficam mais pobres com o choque de preços do petróleo, energia e outras commodities provocados pela guerra entre EUA, Israel e Irã. Não é recessão, mas mal-estar econômico.
- As projeções indicam preços mais altos, crescimento mais fraco e salários que não acompanham a inflação, com a economia crescendo 1,3% em 2026, metade do ritmo do ano anterior.
- O desemprego deve permanecer relativamente estável, na faixa de quatro pontos percentuais, até o fim deste ano.
- A decisão de mais aumento de juros não está garantida; a reunião de junho pode trazer novas ações, mas há espaço para observar como o conflito se desenrola.
- O orçamento da próxima terça-feira pode levar o governo a oferecer mais ajuda aos hogares, o que, segundo Bullock, dificulta o controle da demanda e pode pressionar ainda mais a política monetária.
Australians vão mais pobres por consequência do conflito externo, diz o Banco Central
A governadora do Banco da Australia (RBA), Michele Bullock, afirmou que choques nos preços do petróleo e de energia, agravados pela guerra entre EUA e Israel sobre o Irã, aceleram a deterioração da economia doméstica. Segundo ela, não há cenário de recessão, mas sim inflação mais alta e crescimento mais fraco.
A instituição projeta preços mais elevados e crescimento de até 1,3% em 2026, com ganhos salariais que não acompanham a inflação. Mesmo no cenário mais pessimista, Bullock disse que a economia não entra em recessão, mas permanece em um ritmo limitado.
Fatores de curto prazo e mercado de trabalho
Em meio a essa leitura, a taxa de desemprego deve permanecer estável, na faixa de poucos pontos percentuais acima de 4%, até o fim deste ano. Assim, ainda que a renda real sofra, a recomposição do mercado de trabalho não deve piorar rapidamente.
A decisão de subir a taxa de juros na reunião anterior amplia a percepção de que o choque de energia passará pelo custo de crédito. Bullock revelou que o choque de combustível está entrando no ciclo econômico e moldará as próximas medidas.
Perspectivas de política monetária
Analistas do NAB sinalizavam expectativa de novo aumento já na próxima reunião, em junho, diante de pressões inflacionárias. Por ora, a RBA mantém espaço para monitorar os desdobramentos do conflito.
Quem participa da discussão econômica nacional pode sofrer impactos desde o orçamento de terça-feira, quando o governo planeja medidas para atenuar a pressão sobre a população. Bullock destacou que maior auxílio público pode ampliar a demanda.
A relação entre gasto público e política de juros
A governadora enfatizou que o uso de recursos públicos para compensar quedas de renda pode tornar mais difícil conter a demanda agregada. Em termos simples, mais dinheiro público pode exigir aperto maior da política monetária no futuro.
O ministro das Finanças, Jim Chalmers, comentou que o governo pretende atuar de forma útil no combate à inflação, sem promover efeitos que agravem o controle de preços. A data da próxima avaliação econômica mantém-se sob observação.
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