- Vikas Rambal, empreendedor de origem indiana, chegou à Austrália em 2000 e criou o Grupo Perdaman, hoje financiando e dirigindo a construção da maior fábrica de fertilizantes na Península de Burrup, no noroeste da Austrália Ocidental, num projeto de US$ 6,4 bilhões.
- A planta prevista para produzir ureia e amônia tem capacidade de cerca de 2,3 milhões de toneladas por ano, com receita anual estimada em até US$ 1,5 bilhão quando entrar em operação, prevista para meados de 2027.
- Rambal detém 55% do negócio; a Yara entrou como sócia em 2005, e a empresa passou por mudanças de controle após disputas com o sócio original, Pankaj Oswal.
- Em 2012, a fábrica de Burrup pôs-se sob joint venture entre Yara e Apache Energy; Rambal passou por períodos de alta e de reestruturação, investindo em outros negócios para manter o grupo ativo.
- Em 2023, a Global Infrastructure Partners adquiriu 45% do projeto, com financiamento de cerca de US$ 2,4 bilhões por 32 bancos internacionais; o grupo também desenvolve módulos de construção na Índia para a planta.
Vikas Rambal, empresário índio-australiano, lidera o desenvolvimento de uma das maiores fábricas de fertilizantes do mundo na Austrália. O projeto na Península de Burrup, no noroeste de WA, envolve uma planta de ureia com custo estimado de 6,4 bilhões de dólares e edição de produção prevista para meados de 2027. A obra já mobiliza módulos pré-fabricados que chegaram por navios, em um movimento que lembra refinarias flutuantes.
A empresa por trás do empreendimento é a Perdaman Group, controlada por Rambal, que detém 55% do negócio, com participação de 45% da Global Infrastructure Partners em 2023. A indústria de ureia é central para a agricultura moderna, especialmente diante de interrupções no abastecimento global e da dependência de fertilizantes nitrogenados. O projeto é visto como resposta estratégica à vulnerabilidade australiana frente a mudanças no comércio de gás e fertilizantes.
Desde 2000, quando Rambal chegou à Austrália com US$ 320 milhões para dar início à primeira fábrica de amônia do país, o empresário percorreu um longo caminho. A planta original na Burrup, inaugurada em 2006, chegou a ser a maior do mundo. Em 2007, após a saída de um sócio, Rambal perdeu parte de seu investimento, enfrentando problemas pessoais e empresariais que motivaram novas estratégias.
Transformação e retomada de planos
O retorno do Grupo Perdaman ganhou fôlego com a estratégia de elevar a escala de produção. Em 2010, a empresa avaliava transformar carvão em gás para reduzir custos, levando a planos para uma planta de ureia em Collie, que acabou abandonada em 2014 após a falência de fornecedores. O foco migrou para projetos maiores na indústria de fertilizantes, com forte apoio financeiro de investidores internacionais a partir de 2019.
Entre 2019 e 2023, a Perdaman consolidou parcerias e financiamento. Em 2023, a entrada de capital de investidores como a GIP, com empréstimos de bancos internacionais, permitiu iniciar a construção da fábrica de Burrup. O projeto prevê produção anual de aproximadamente 2,3 milhões de toneladas de ureia, visando atender demanda doméstica e exportação.
Impacto econômico e tecnológico
A construção envolve cerca de 8 mil trabalhadores na Índia, que montam módulos para a planta de Burrup, em uma operação que o empresário descreve como inédita em termos de escala de integração entre Índia e Austrália. A expectativa é que a planta gere receita significativa, com projeções de ganhos anuais elevados caso os preços da ureia se mantenham em patamar atual.
Como etapa complementar, a Perdaman planeja uma fazenda solar de 30 megawatts para abastecer a fábrica com menor emissão de carbono. O objetivo final é ampliar o portfólio com um sistema de geração de 1.000 megawatts, suficiente para abastecer uma cidade, segundo Rambal.
Histórico pessoal e visão de longo prazo
Rambal nasceu na Índia e chegou à Austrália em 2000. Sua trajetória inclui mudanças de carreira, dificuldades familiares e a construção de um conglomerado diversificado que hoje atua em setores como energia, imigração e farmacêutica. O empresário enfatiza a importância da educação e da colaboração entre Austrália e Índia como legado de sua história.
A família Rambal mantém presença forte na Perdaman, com filhos envolvidos na empresa. O casal relata que a experiência de reinvenção foi fundamental, e que o foco atual é manter projetos grandes, porém financeiramente sustentáveis, com alinhamento entre inovação, empregos e transferência de conhecimento.
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