- Azzas, criada da fusão entre Arezzo e Grupo Soma em 2024, teve desvalorização de cerca de 60% desde então, com 28 marcas sob seu guarda-chuva e alta rotatividade de executivos.
- Internamente, a disputa entre os líderes Alexandre Birman e Roberto Jatahy ganhou contornos judiciais, com negociação de uma possível cisão da empresa em avaliação pelo Itaú e relato de arbitragem em curso.
- Jatahy apresentou, semanas antes, um pedido judicial relacionado à gestão de uma marca masculina; a empresa afirmou ter ficado surpresa e indicou que decisões desse tipo cabem ao CEO Birman.
- A FARM Rio é apontada como a principal joia do grupo, registrando crescimento de 17% nas vendas internacionais em dólar e sendo apontada como motor de expansão.
- Analistas recomendam posição neutra ou de alto risco para as ações, diante da incerteza sobre governança e possível cisão, apesar de alguns apontarem potencial valor caso haja separação de marcas fortes.
Azzas enfrenta crise interna enquanto cativa celebridades. A gigante brasileira da moda, resultado da fusão entre Arezzo e Soma em 2024, vê ações recuarem 60% desde então. Investidores questionam o futuro, diante da disputa entre os sócios Alexandre Birman e Roberto Jatahy.
No front externo, a companhia mantém campanhas com grandes nomes. Sarah Jessica Parker participou de ações da marca, assim como celebridades em eventos de lançamento. Internamente, a gestão passa por mudanças e tensões que já provocaram saídas de executivos nos últimos dois anos.
Conflito de liderança
A tensão entre Birman e Jatahy ganhou contornos jurídicos na última semana, com disputa sobre a condução do negócio. Fontes ouvidas pelo mercado indicam que a possibilidade de uma cisão volta a ganhar força, com a empresa contratando o Itaú para avaliar cenários de separação.
A imprensa local aponta que Jatahy, responsável pela operação de moda feminina, apresentou recentemente um pedido judicial relacionado à gestão de uma marca masculina. A Azzas afirmou ter ficado surpresa com a iniciativa e ressaltou que decisões desse tipo cabem ao CEO Birman. Ambos os lados estão em arbitragem, prevista para iniciar em breve.
Desempenho financeiro e avaliação de risco
Analistas destacam que a desintegração da equipe e a elevada rotatividade prejudicam a governança. Em julho, o Itaú BBA associou a queda de desempenho a dificuldades de integração entre as marcas do grupo.
No último trimestre, a divisão de sapatos e bolsas registrou queda de 6,9% na receita bruta, enquanto a unidade de itens básicos caiu 19%. O lucro líquido consolidado recuou 67%. Juros de dois dígitos no cenário macro dificultam a recuperação.
Potenciais caminhos e marcas-chave
Apesar dos desafios, há sinais positivos. A FARM Rio, marca do grupo, teve crescimento de 17% nas vendas internacionais, impulsionada pelo apelo estético e novas lojas. A empresa vê a FARM como motor central de expansão, segundo analistas do mercado.
A visão de mercado aponta para possível capitalização ou cisão de marcas, com o cenário mais provável sendo uma reorganização acionarial que maximize o valor das marcas com maior propensão de crescimento. Recomendações permanecem com viés de risco neutro a cautiously, conforme avaliação de casas de análise.
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