- Brasil e Austrália pressionam a China para ampliar as cotas de exportação de carne bovina, à medida que se aproximam do esgotamento para 2026.
- A China é o maior importador mundial, recebendo quase US$ 3 bilhões do Brasil e cerca de US$ 1 bilhão da Austrália no primeiro trimestre.
- O sistema de cotas imposto em dezembro pode gerar uma tarifa de 55% nos próximos meses, comprometendo o comércio se o ritmo continuar.
- Os ministros André de Paula e Don Farrell estão na China defendendo a realocação de cotas não utilizadas e a isenção de ossos e carne resfriada.
- Dados oficiais mostram uso regional das cotas até março: Argentina, Uruguai e Nova Zelândia com percentuais variáveis, enquanto especialistas permanecem céticos sobre o sucesso do lobby.
Brasil e Austrália pressionam a China para ampliar o embarque de carne bovina. Os dois países buscam evitar o esgotamento de suas cotas para 2026, com o risco de suspender envios. A pauta envolve tarifas que podem entrar em vigor em breve.
O ministro da Agricultura do Brasil, André de Paula, e o ministro do Comércio da Austrália, Don Farrell, estão na China nesta semana. Eles defendem a realocação de cotas não utilizadas por outras nações e maiores volumes de exportação para o mercado chinês.
Dados mostram que a China é o maior importador de carne bovina, comprando quase US$ 3 bilhões do Brasil e cerca de US$ 1 bilhão da Austrália no primeiro trimestre. O sistema de cotas, iniciado no ano passado, impõe tarifa de 55% se o ritmo atual persistir.
Desdobramentos da negociação
Autoridades chinesas discutiram com os representantes brasileiros e australianos a possibilidade de realocar cotas de outros países para Brasil e Austrália, segundo fontes familiarizadas com as conversas.
Até o fim de março, a Argentina utilizou 27,5% de sua cota, o Uruguai 15% e a Nova Zelândia 14%, conforme dados oficiais. Taxas elevadas podem frear o fluxo de carne importada.
Outra linha discutida é a isenção de ossos e carne resfriada da cota da China, o que permitiria ampliar o total embarcado, segundo fontes próximas às negociações.
As autoridades do Comércio da China e a Alfândega não comentaram o tema de forma oficial até o momento. O governo brasileiro não respondeu a pedidos de comentário.
Contexto de mercado e impactos
Analistas apontam que muitos negócios de carne bovina chinesa não têm sido lucrativos nos últimos anos. O Brasil disputa cortes competitivos com a produção local, enquanto a Austrália foca em itens premium.
O Brasil pode perder até US$ 3 bilhões em receita neste ano caso a cota não seja reajustada, aponta a Abrafrigo. A Austrália pode redirecionar parte das vendas para Japão, Coreia do Sul e EUA, conforme avaliação de especialistas.
O recuo de ações na China após visitas de outras lideranças internacionais pode influenciar o desfecho das negociações. A reabertura de mercados, como ocorreu com os EUA, é um fator que preocupa as partes envolvidas.
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