- México e União Europeia fecharam a primeira cúpula em oito anos, atualizando o acordo comercial para ampliar comércio, investimento e cooperação em temas-chave.
- A assinatura é vista como ato geopolítico de defesa do multilateralismo, com o México destacando-se como ponte entre regiões e economias.
- O acordo reduzirá aranceles de itens estratégicos, como automóveis, manufaturas, tecnologia e produtos agropecuários, possibilitando entrada de tequila, berries e abacates sem tarifas.
- A União Europeia estima economia de até 100 milhões de euros anuais com a eliminação de tarifas e continuará a proteger denominações geográficas, além de regular compras públicas e comércio digital.
- O México se prepara para a revisão do TMEC com Estados Unidos e Canadá, em julho, insistindo que acordos com a UE e com os EUA são complementares e fortalecem o comércio trilateral.
O México encerrou esta semana sua primeira cúpula com a União Europeia em oito anos, com a assinatura de um pacto de modernização do acordo comercial. O encontro ocorreu no Palácio Nacional, em meio ao momento de revisões do TMEC com EUA e Canadá.
A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, apresentou o acordo como marco para ampliar o comércio, atrair investimentos e aprofundar diálogo em temas como migração, meio ambiente e direitos humanos. Ela ressaltou que a parceria com a UE fortalece soberanias e cooperação multilateral.
A Comissão Europeia, representada por Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, destacaram a importância de alianças estratégicas diante de decisões unilaterais de potências como os EUA. Costa classifica o acordo como uma demonstração de compromisso com comércio justo e cooperação baseada em regras.
A UE informou que a atualização reduzirá tarifas para produtos estratégicos mexicanos, como automóveis, manufaturas, tecnologia e agropecuários. Bebidas como tequila, berries e abacates devem ter acesso ao mercado europeu sem tarifas, com estimativa de economia anual de até 100 milhões de euros para exportadores.
Segundo dados da UE, o acordo prevê proteção de denominações geográficas e regras sobre compras públicas e comércio digital. Em 2025, México exportou cerca de 23,8 bilhões de dólares para a UE, representando 3,5% do total externo mexicano.
A assinatura acontece semanas antes da revisão do TMEC, acordo que mantém forte peso do comércio com EUA e Canadá, responsável por quase 900 bilhões de dólares em intercâmbio anual. Sheinbaum afirmou que os acordos não são contraditórios, mas complementares.
A líder mexicana afirmou que México pode atuar como ponte entre regiões, culturas e economias, fortalecendo relações com a UE e com os EUA. Na prática, a revisão do TMEC deverá avançar na próxima semana, com foco em normas de origem regional e segurança econômica.
Analistas avaliam que o TMEC deverá continuar, mas com condições distintas para cada parte. Pergunta central é como Washington lidará com setores como aço e automotivo e se imporá limites às importações asiáticas vindas do México.
A revisão trilateral tem início formal em julho e envolve negociações entre México, EUA e Canadá. O objetivo é manter a integração norte-americana, avaliada em cerca de 1,5 trilhão de dólares ao ano, sem perder oportunidades de emprego.
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