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O dólar foi e continua um acidente

Livro revela que o dólar nasceu do taler boêmio do século XVI e não é moeda exclusiva dos EUA, sendo hoje uma moeda global movida pela confiança, não pela soberania

A monochrome image in shades of bright green. On the left, a large, detailed old coin shows an embossed figure in profile alongside texturing and historical lettering. In the center, the portrait section of a modern U.S. one-dollar bill is visible, showing a man's face looking forward within an oval frame, flanked by serial numbers and the text "FEDERAL RESERVE NOTE." On the right side, intricate, swirling patterns and geometric linework characteristic of paper currency.
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  • O livro The Almighty Dollar: 500 Years of the World’s Most Powerful Money mostra que o dólar não foi criado pelos EUA, mas tem origem num joachimsthaler, moeda de prata produzida na Boêmia no século XVI.
  • O dólar não é exclusivo da Casa da Moeda dos Estados Unidos; bancos e mercados globais geram dólares, como os eurodólares, fora do controle americano.
  • Historicamente, moedas de prata e, depois, o lastro em ouro sustentaram o dólar; mesmo após perder o lastro, ele permaneceu estável por séculos.
  • Em 1971, o presidente dos EUA encerrou o padrão ouro, mas o dólar continuou circulando amplamente ao redor do mundo.
  • O autor destaca que o dólar funciona para o mundo, nem sempre para os americanos, citando crises como a de 2008 para ilustrar esse padrão.

O livro The Almighty Dollar: 500 Years of the World’s Most Powerful Money, de Brendan Greeley, questiona o que é o dólar e qual a relação entre dinheiro e poder. A obra mostra que o dólar não foi criado pelos Estados Unidos e nem está sob seu controle exclusivo. Em vez disso, ele surge como um acaso histórico ligado a moedas de prata da Europa.

Greeley, ex-jornalista do Financial Times, investiga origens do dólar desde o século XVI. A pesquisa o leva a Boêmia, onde uma farra de trabalhadores mineiros ajudou a associar o nome ao joachimsthaler, moeda de prata cunhada na região. Daí nasce o conceito que evolui para o dólar moderno.

Origem do termo e da moeda

Os thalers de prata, depois chamados de dollars, circularam globalmente antes de haver um sistema centralizado. Por séculos, o que deu peso ao dólar foi a disponibilidade, a previsibilidade e a confiança na moeda, não a formalização estatal exclusiva. O livro destaca que muitos países copiavam moedas similares.

Expansão e mudanças de lastro

Com o tempo, o lastro passou a ser ouro e, posteriormente, o dólar passou a operar sem lastro direto. Em 1971, o presidente Richard Nixon encerrou a vinculação formal ao ouro. Mesmo assim, o dólar manteve a circulação mundial por meio de redes bancárias e mercados internacionais.

Economia global e soberania

Greeley mostra que o dólar sempre funcionou fora de uma aliança estatal única. Bancos americanos e estrangeiros criaram dólares fora das estruturas oficiais, inclusive com o surgimento dos eurodólares na década de 1950. O fenômeno evidencia que o dinheiro é uma competição global, não uma conquista de soberania.

Contexto contemporâneo

A obra analisa que a função internacional do dólar beneficia o comércio global, mas nem sempre favorece os cidadãos americanos. Crises, como a de 2008, são vistas como manifestações desse longo padrão. O autor não entra em previsões sobre o papel futuro do dólar como reserva.

Conclusão editorial

A leitura oferece uma visão diferente sobre a história monetária, combinando pesquisa documental e narrativa envolvente. O livro demonstra como o que move o mundo financeiro depende de fatores históricos, tecnológicos e institucionais, não apenas de decisões nacionais.

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