- A União Europeia apresentou a vigésima primeira pacote de sanções contra a Rússia, incluindo uma ferramenta inédita para banir serviços de cripto-ativos de países terceiros identificados como facilitadores das evasões de sanções.
- O mecanismo permite interromper totalmente atividades de criptomoeda vinculadas a jurisdições estrangeiras consideradas como intermediárias das evasões, afetando bolsas, provedores de liquidez e camadas de liquidação que operem com esse país.
- Países como Turquia, Emirados Árabes Unidos, Cazaquistão e Hong Kong foram citados como focos de hubs de fluxo de criptomoedas ligados à Rússia; a medida pode bloquear atividade de serviços de cripto relacionados a esses territórios em mercados regulados pela União Europeia.
- O pacote ainda amplia proibições de transação para vinte entidades não pertencentes à UE e adiciona 31 bancos russos à lista de sanções. Também reforça o banimento a provedores de serviços de cripto com base na Rússia e o uso de rublo digital.
- No mesmo dia, o vice-ministro das Finanças da Rússia anunciou tarifas punitivas de até três por cento sobre stablecoins ligadas ao Ocidente, como USDT e USDC, sinalizando resposta econômica às sanções.
O Parlamento Europeu anunciou o 21º pacote de sanções contra a Rússia, incluindo um instrumento jurídico inédito: a possibilidade de banir serviços de ativos digitais de todos os países terceiros que contribuam para violar sanções. A medida foi apresentada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em Bruxelas.
Horas depois, em um evento no SPIEF 2026, o vice-ministro das Finanças da Rússia, Ivan Chebeskov, informou a aplicação de taxas punitivas de até 3% sobre stablecoins associadas ao Ocidente, incluindo USDT e USDC. A sinalização brasileira de contramedidas ocorre no mesmo dia.
O pacote de sanções não é apenas mais um aperto regulatório; ele autoriza a designação de uma jurisdição externa como forma de restringir toda a atividade de serviços de cripto que intermediam o fluxo rumo ao mercado europeu. Países como Turquia, EUA, Cazaquistão e Hong Kong aparecem na análise inicial como hubs intermediários.
A nova estrutura permite bloquear, de forma ampla, qualquer exchange, provedor de liquidez ou camada de liquidação que tenha relação com a jurisdição designada. Além disso, o conjunto de medidas inclui restrições de transações com 20 entidades não pertencentes à UE, bancos, plataformas cripto e traders de petróleo, além da inclusão de 31 bancos russos na lista de proibidos.
Essa iniciativa amplia o alvo além de empresas específicas, conforme o objetivo declarado de impedir que ecossistemas de settledment operem com facilidades de jurisdição que facilitaram evasões de sanções. A União já havia banido, em pacote anterior, provedores de serviços cripto com sede na Rússia e o uso de rubis digitais apoiados pelo Estado.
Especialistas veem a mudança como uma escalada doutrinária, exigindo que as empresas de cripto avaliem não apenas entidades, mas ecossistemas inteiros e a exposição de jurisdições inteiras. Dados indicam que as transações ilícitas em cripto atingiram 154 bilhões de dólares em 2025, com boa parte vinculada a fluxos relacionados à Rússia, segundo fontes do setor.
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