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Diferenças entre Putin e o banco central sinalizam piora da economia russa

Putin pressiona por queda de juros enquanto Nabiúllina permanece ausente, evidenciando choque entre Kremlin e política monetária diante da economia em deterioração

La gobernadora del Banco Central de Rusia, Elvira Nabiúllina, en el Foro Económico Internacional de San Petersburgo de 2025.
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  • O presidente Vladimir Putin pediu redução das taxas de juros em uma reunião sobre política monetária, da qual a governadora do Banco Central, Elvira Nabiúllina, não participou e está em paradeiro desconhecido.
  • Nabiúllina não compareceu a outra sessão com Putin nos últimos nove dias, elevando incertezas sobre a condução da política monetária diante do gasto militar e da inflação.
  • O Banco Central elevou os juros para 14,5% em 2025 para conter a inflação, resultado de planejamento fiscal e do peso do orçamento militar.
  • Um decreto de urgência aprovado pela Duma flexibilizou regras de endividamento do governo, permitindo despesas maior e empréstimos a juros baixos para as regiões.
  • Há relatos de tensões políticas internas, com especulações sobre o papel de Nabiúllina e possíveis condições para sua continuidade no cargo, ligadas à questão da prolongação da operação militar na Ucrânia.

A governadora do Banco Central da Rússia, Elvira Nabiúllina, não participou de uma reunião sobre política monetária, marcada para discutir a inflação e os caminhos da economia. O encontro ocorreu dias após seu anunciado afastamento por doença, cuja continuidad continua sem agenda pública. Putin não participou diretamente da sessão de avaliação.

Desde o início do mandato, Nabiúllina, no cargo desde 2013, tem defendido disciplina fiscal, enquanto o Kremlin busca manter o aparato bélico e financiar o gasto militar. Os juros, que chegaram a 14,5% após ajustes em 2025, seguem como ferramenta central para conter a inflação em meio a pressões orçamentárias.

Fontes oficiais indicam que Nabiúllina negocia como manter seu mandato caso a guerra na Ucrânia não se intensifique, e que a liderança do Kremlin avalia como lidar com a política macroeconômica sem a participação direta da banca central. O desaparecimento público da gobernadora alimenta especulações sobre o futuro da instituição.

Contexto econômico

Um relatório do Kiel Institute aponta que, embora a economia russa não tenha caído, seus fundamentos estão fragilizados e as reservas fiscais se agotaram. O estudo destaca que a capacidade bélica depende fortemente das receitas de hidrocarbonetos e que o atual ambiente macro não é sustentável.

O documento registra que o crescimento está estacionário, com o gasto militar sustentando a atividade econômica, enquanto o consumo privado permanece fraco. A visão é de que a política monetária rígida, combinada com medidas fiscais flexíveis, sustenta o orçamento militar, elevando riscos para a indústria civil.

Especialistas ressaltam que a inflação ainda permanece elevada e que as expectativas de empresários e consumidores continuam altas. A equipe do banco central analisa recortes de juros apenas quando houver comprovação de desaceleração sustentada da inflação, não apenas de curto prazo.

Desdobramentos políticos

O presidente Putin promoveu, em 10 de junho, uma reunião com o governo sobre política monetária sem Nabiúllina e sem o comitê decisório habitual. Na visão dele, as medidas atuais estariam gerando resultados, com inflação em leve recuo, acima de 5%.

Em resposta, o vice-presidente do Banco Central, Alexéi Zabotkin, afirmou que a inflação precisa recuar de forma consistente antes de qualquer novo recorte de juros. A instituição ainda observa que o cenário demanda continua elevado pelo governo, o que condiciona ajustes futuros.

No Legislativo, a Duma aprovou decreto de urgência para ampliar a autonomia de endividamento do governo. O texto permite gastos sem revisões orçamentárias, com possibilidade de empréstimos de regiões com juros baixos para financiar campanhas e operações administrativas.

Intensa tensão interna acompanha o tema. Alguns deputados alertam para o risco de explosão social diante da continuidade do conflito e da fragilidade econômica, pedindo clareza sobre planos nacionais que conectem defesa, finanças públicas e bem-estar social.

O paradeiro de Nabiúllina, cujo mandato atual termina em junho de 2027, tornou-se assunto de Estado. Diversas fontes da Administração, do Banco Central e da mídia estatal indicam que a economista negocia manter o posto desde que não haja intensificação da operação militar e haja sinalização de estabilidade institucional.

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