- Entre 1980 e 2020‑21, o PIB per capita global quase dobrou, de cerca de sete mil e setecentos para quase dezessete mil (em dólares internacionais, ajustados pela paridade de poder de compra), apontando alto crescimento mundial, principalmente pela Ásia, especialmente a China.
- A prosperidade global não se refletiu da mesma forma nos países ricos, onde a renda real média cresceu perto de um por cento ao ano, enquanto as receitas dos mais ricos aumentaram duas a três vezes mais rápido.
- O período neoliberal, a partir da presidência de Ronald Reagan, foi marcado por benefício aos ricos e desaceleração do crescimento amplo em várias camadas da população, enquanto o mundo ficou mais dependente de relações entre bens, capitais e tecnologia.
- A descontentação, alimentada pela percepção de desigualdade e pela proteção de mercados domésticos, ajudou a emergirem movimentos políticos de direita e, no cenário internacional, levou a um predomínio menor do livre comércio, com instrumentos de neomercantilismo.
- O texto sustenta que o neoliberalismo acabou sendo substituído por barreiras proteçãoistas e por uma busca de retorno a valores mais tradicionais, resultando no declínio do modelo de globalização financiado pela competição sem fronteiras.
A discussão sobre o fim do neoliberalismo analisa como dois pilares, cosmopolitismo e competição, moldaram quatro décadas de globalização. O texto aponta que esses pilares sustentaram o crescimento, mas hoje enfrentam críticas e reconfiguração política.
Entre 1980 e 2020-21, o PIB per capita mundial subiu de cerca de US$ 7.700 para quase US$ 17.000 (paridade de poder de compra). A inflação de renda avançou, com ganhos maiores entre os ricos em países desenvolvidos, enquanto a média ampliou menos.
O período, iniciado com Reagan, também mostrou desaceleração do crescimento global para além da diferença entre classes. Em muitas nações ricas, a renda média cresceu pouco, enquanto os ricos avançaram mais rapidamente.
A ideia de um mundo sem fronteiras foi desafiada pela realidade política. As elites, associadas ao cosmopolitismo, passaram a ver como injusta a espera de que trabalhadores domésticos compartilhassem os benefícios da globalização.
Mudanças políticas
A crise financeira de 2007-08 evidenciou descontentamento com a distribuição de custos. O texto aponta que, apesar do crescimento global, setores da população se sentiram marginalizados frente a importações e deslocamentos de empregos.
De um extremo ao outro, houve substituição de objetivos. Governos inicialmente vinculados a políticas neoliberais passaram a enfrentar pressões por proteção comercial e recuperação de empregos domésticos.
Desdobramentos econômicos
A competição intensa estimulou avanços tecnológicos, porém deslocou tarefas de casa, serviços e cuidados para trabalhadores precários. O resultado foi um aumento da insatisfação social e apelo a soluções nacionalistas.
Essa leitura sustenta que o modelo globalizador, ao enfatizar o livre fluxo de bens e pessoas, acabou gerando resistências internas e maior uso de barreiras econômicas nas políticas comerciais.
Conclusões do panorama
O texto afirma que o neoliberalismo hoje estaria substituído por uma combinação de protecionismo e revalorização de tradições nacionais. Segundo a análise, as mesmas características que garantiram o sucesso também contribuíram para a sua dissolução.
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