- Fitch mantém a nota BB para o Brasil e estima dívida acima de 80% do PIB em 2026, com déficit do governo geral de 8,6% do PIB neste ano.
- A agência aponta que as eleições de outubro podem influenciar a percepção de risco, dependendo de quem vencer e da posição diante de reformas e gastos obrigatórios.
- Um segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva seria visto como continuidade de gastos e tributação mais progressiva; vitória de Flávio Bolsonaro poderia favorecer uma agenda mais orientada ao mercado, mas com incertezas políticas.
- A inflação deve ficar em torno de 5% ao final de 2026, após encerrar maio em 4,7%.
- O PIB deve crescer 2,1% em 2026 e 1,7% em 2027; o cenário externo atua como amortecedor, com déficit em conta corrente moderado e reservas próximas de US$ 371 bilhões.
A Fitch Ratings manteve o Brasil no rating BB, dois degraus abaixo do grau de investimento, com perspectiva estável. A decisão, anunciada nesta terça-feira, reflete uma trajetória de crescimento moderado aliada a rigidez fiscal e aumento do endividamento.
A agência destacou que as contas públicas devem se deteriorar nos próximos anos, com dívida bruta acima de 80% do PIB em 2026 e déficit do governo geral de 8,6% do PIB neste ano. O cenário envolve juros altos e dificuldades de conter despesas.
A Fitch aponta que o foco agora é a estabilidade fiscal em horizonte mais longo. Enquanto isso não ocorrer, o retorno ao grau de investimento permanece distante.
Contexto econômico e próximos passos
A agência reforça que o cenário eleitoral de outubro pode influenciar a percepção de risco. Um possível segundo mandato de Lula tende a manter a orientação fiscal atual, com expansão de programas sociais e tributação mais progressiva.
Caso haja vitória de Flávio Bolsonaro, a Fitch vê agenda mais voltada a privatizações e redução de impostos, mas observa incertezas políticas e dificuldades de aprovar reformas. A fragmentação do Congresso é citada como entrave.
A inflação deve seguir pressionada, com expectativa de 5% no fim de 2026, acima do teto da meta do BC. O PIB deve crescer 2,1% em 2026, desacelerando para 1,7% em 2027, diante da política monetária e estímulos fiscais menores.
Fatores externos e equilíbrio financeiro
O ambiente externo funciona como amortecedor. O déficit em conta corrente permanece moderado e é coberto por investimento estrangeiro direto. Reservas internacionais próximas de US$ 371 bilhões fortalecem o balanço externo do país.
A Fitch ressalta ainda a baixa participação de dívida em moeda estrangeira e o papel de investidores domésticos na demanda por títulos públicos, o que reduz a vulnerabilidade a choques externos.
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