- A IG4 Capital está buscando reestruturar cerca de US$ 25 bilhões em dívidas de Braskem e Raízen, duas grandes vítimas do ciclo de crédito no Brasil.
- A IG4 adquiriu participação majoritária na Braskem no início deste ano, após negociações com credores e com a controladora Novonor.
- Para a Raízen, a IG4 propôs comprar dívida suficiente para obter participação majoritária, em meio à maior recuperação extrajudicial já vista no país; acordo ainda não fechado.
- A Petrobras apoia a reestruturação da Braskem, mantendo a operabilidade e delegando negociações externas com credores à IG4; a estatal passou a presidir o conselho da Braskem.
- A gestora já começou a contatar credores da Raízen e avalia lançar a recuperação extrajudicial, caso obtenha apoio suficiente, com risco de a estratégia não se concretizar.
A IG4 Capital está à frente de um movimento que pode reestruturar cerca de US$ 25 bilhões em dívidas de Braskem e Raízen, duas das maiores vítimas do atual ciclo de crédito brasileiro. A gestora, criada há uma década e conhecida por atuar em empresas em dificuldades, busca reorganizar ativos estratégicos no mercado. A operação envolve aquisição de participação majoritária na Braskem e uma possível aquisição de dívida da Raízen para obter controle significativo.
A Braskem já passou por mudanças desde o início do ano, quando a IG4 assumiu controle majoritário na empresa. A vice-possibilidade de uma reestruturação envolve credores e o governo, com a Petrobras exercendo papel relevante como acionista. O objetivo é alinhar interesses entre credores e a gestão, visando continuidade operacional e recuperação financeira da petroquímica.
Na Raízen, a IG4 propôs adquirir dívida suficiente para obter participação majoritária, em meio à maior recuperação extrajudicial já vista no Brasil. O acordo ainda não está fechado, e o êxito depende de obtenção de apoio de credores. Analistas destacam o desafio inédito para uma gestora atuando de forma direta em grandes reestruturações.
Quem está envolvido
Paulo Mattos, cofundador da IG4, atua como principal porta-voz e vê na Braskem um caso desafiador, com potencial de escala global para a gestora. A IG4 administra cerca de US$ 4,8 bilhões e passou a supervisionar negociações com credores em várias frentes, incluindo operações com a Petrobras.
O relacionamento entre IG4, Braskem e Petrobras tem sido central na estratégia de reestruturação. Executivos das duas empresas ressaltam a cooperação para alinhamento de interesses entre credores e operacionais, com a gestão interna da Braskem permanecendo sob responsabilidade da parte operacional.
A gestão também envolve a equipe internacional da IG4, com atuação em Londres, além de lideranças locais no Brasil. O objetivo é costurar acordos com credores, preservar a operação e evitar interrupções significativas.
Contexto e próximos passos
As negociações ocorrem em meio a uma janela de pagamentos prevista para julho, quando a avaliação de apoio de credores pode levar à recuperação extrajudicial ou a medidas cautelares. Não há garantia de sucesso, e objetivos dependem da mobilização de um conjunto relevante de credores.
A IG4 já captou nova rodada de recursos para fundos na América Latina, elevando o total captado para US$ 1,2 bilhão. A estratégia da gestora inclui concentrar-se em ativos estratégicos com controle ou participação relevante, evitando operações com varejo de baixo valor de ativos.
Outros ativos em foco da IG4 incluem participações em projetos de infraestrutura e ativos imobiliários em dificuldades, com perspectiva de compra conjunta com parceiros. A abordagem de costura com todas as partes tem sido destacada pela diretoria como diferencial na condução de reestruturações complexas.
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