- Nos Estados Unidos, as vendas de fones de ouvido com fio voltaram a crescer em 2025, com a receita subindo 3% (cerca de US$ 15 milhões) e acelerando para 10% entre julho e dezembro; nas primeiras seis semanas de 2026, o alta foi de 20%.
- Mesmo com o domínio dos fones sem fio, o fio voltou a ganhar espaço, ajudado pela média de preço bem menor: cerca de US$ 13 para com fio, frente a US$ 99 para modelos sem fio.
- O fenômeno não é apenas financeiro: o fio passou a simbolizar simplicidade e nostalgia para a geração Z, que redescobre objetos da era dos anos 1990 e 2000.
- A tendência ocorre junto ao crescimento do mercado da nostalgia, que impulsiona itens como câmeras digitais, tocadores de CD, iPods e itens analógicos.
- Em 2025, os fones sem fio ainda representavam a maior fatia do mercado (65%), mas o retorno dos com fio mostra que alguns jovens valorizam a praticidade, sem necessidade de carregamento, pareamento ou atualizações.
Fones de ouvido com fio ressurgem nos Estados Unidos, puxados pela geração Z. A recuperação começou após cinco anos de queda, com preço baixo e sentimento nostálgico impulsionando a demanda. O fio tornou-se símbolo cultural para parte do público jovem.
Segundo a Circana, em 2025 a receita com fones com fio cresceu 3%, equivalente a cerca de US$ 15 milhões. Entre julho e dezembro, o aumento chegou a 10%. Nas primeiras seis semanas de 2026, a alta foi de 20%.
Apesar da recuperação, o mercado de fones sem fio mantém o domínio: em 2025, os modelos true wireless representaram 65% da receita. O fio não busca competir em especificações tecnológicas, mas oferecer simplicidade e custo.
O fator preço
O preço ajuda a explicar a tendência. O valor médio de um fone com fio ficou em torno de US$ 13 em 2025, diante de cerca de US$ 99 para os sem fio. A diferença financeira, porém, não esgota o fenômeno.
A praticidade também pesa. Fones com fio não precisam de carga, nem pareamento. Em rotinas com notificações constantes, a simplicidade aparece como diferencial relevante para parte dos jovens.
Nostalgia e cultura
A volta do fio coincide com o resgate de câmeras digitais, leitores de CD e iPods antigos. Pesquisas indicam que metade da geração Z sente nostalgia por mídias passadas, fortalecendo o interesse por itens de décadas anteriores.
Esse movimento compõe o chamado mercado da nostalgia, que já impulsiona vinis, itens analógicos e outros objetos ligados ao passado, além de influenciar escolhas de consumo fora do mundo digital.
Áudio como rotina emocional
Dados do Gen Z Audio Report mostram que jovens de 13 a 24 anos passam cerca de 4h 10min diárias ouvindo áudio. Dois terços usam conteúdo para enfrentar momentos difíceis e quase metade diz que o áudio ajuda a saúde mental.
O fio, nesse contexto, funciona como fronteira entre ambiente externo e espaço pessoal. A demanda também dialoga com a economia da atenção, em que minutos de uso são disputados pelas plataformas digitais.
Alinhamento com o mercado tecnológico
Enquanto Apple, Google e Samsung investem em IA, tradução em tempo real e sensores, os fones com fio mantêm a proposta de não depender de baterias, atualizações ou dados coletados. O fio retorna como opção estável frente à evolução veloz.
Para alguns consumidores, o fio representa exatamente o que o mercado de tecnologia precisa offer: eficiência simples, sem distrações, em contraste com a constante inovação de dispositivos sem fio.
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