- Os 20 clubes da Série A registraram receita de 14,9 bilhões em 2025, alta de 33% em relação a 2024, com crescimento acumulado de 73% nos últimos cinco anos.
- O valor total das marcas e ativos dos clubes chegou a 47,4 bilhões, enquanto o endividamento líquido ficou em 14,3 bilhões, crescimento de 15% ante 2024.
- Os custos operacionais subiram 30% no último ano, o que ampliou o déficit entre receitas e caixa, apesar do faturamento recorde.
- Flamengo, Palmeiras, Botafogo, São Paulo e Fluminense sozinhos respondem por 49% da receita da Série A, majoritariamente vindas de direitos de transmissão, premiações e venda de atletas.
- O risco tributário é elevado: quatro clubes — Corinthians, Botafogo, Fluminense e Atlético-MG — concentram 62% da dívida com o fisco; especialistas recomendam separar receitas recorrentes e não recorrentes para reduzir volatilidade.
O futebol brasileiro teve em 2025 um ano de recordes para a Série A, com receitas totais de 14,9 bilhões de reais, conforme levantamento da EY. O valor representa alta de 33% ante 2024, apontando para a espiral de crescimento no setor.
Mesmo com o faturamento recorde, o endividamento líquido dos clubes subiu 15% no mesmo período, para 14,3 bilhões de reais. Especialistas atribuem o fenômeno à inflação da competitividade, que eleva custos e investimentos em elencos.
A arrecadação maior não garantiu fôlego imediato de caixa, já que custos operacionais aumentaram cerca de 30% no último ano, incluindo salários e infraestrutura. Assim, ganhos de receita não se converteram em igual ritmo de caixa.
Valor de mercado e concentração de renda
O conjunto de ativos dos clubes brasileiros alcançou 47,4 bilhões de reais, segundo o relatório Finanças e Valuation dos Clubes 2025 da Sports Value. Flamengo, Palmeiras, Botafogo, São Paulo e Fluminense sozinhos respondem por 49% da receita da Série A.
A maior parte dessa receita vem de direitos de transmissão, premiações e venda de atletas. Entre os clubes, os cinco maiores concentram boa parte da renda, elevando a pressão por eficiência.
Desempenho de clubes fora do grupo de elite
Entre os destaques fora do quinteto principal, Mirassol se manteve como exemplo de gestão prudente, ocupando a 19ª posição de orçamento em 2025 e terminando o Brasileirão em quarto lugar. A avaliação aponta foco em planejamento de médio e longo prazo.
A gestão orçamentária do Mirassol envolve investimentos estruturais com retorno esperado, mantendo disciplina financeira e alinhando gastos à capacidade de geração de receita. A lição compartilhada é de eficiência operacional pela alocação eficaz de recursos.
Riscos tributários e dívidas relevantes
Quatro clubes—Corinthians, Botafogo, Fluminense e Atlético-MG—concentram 62% das dívidas fiscais do futebol brasileiro. Os endividamentos variam entre frente de arena, dívidas com a Receita Federal e ações trabalhistas, sinalizando desafios estruturais.
O Corinthians, por exemplo, acumula dívidas ligadas à arena, à Receita e a processos trabalhistas, o que compromete receita de bilheteria e eventos. O Atlético-MG figura como caso de alta alavancagem, mesmo com aportes de SAF.
Recomendações para governança financeira
Analistas recomendam separar receitas recorrentes de não recorrentes, para ancorar o orçamento em entradas estáveis. Receitas não recorrentes devem atuar como amortizadores de volatilidade, e não como base para custos operacionais.
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