- Em Guadalajara, durante a Copa do Mundo de 1986, o repórter relata ter sido atacado pelo “Mal de Montezuma” e ficar afastado por alguns dias.
- A cobertura ocorreu sem celular ou laptop, com envio de matérias por telex, que às vezes apresentava falhas, como quando as matérias foram parar na empresa errada por engano de discagem.
- O Brasil, comandado por Telê Santana, não repetiu o brilho de 1982 e foi eliminado nas quartas de final pela França, nos pênaltis; Zico enfrentou problemas no joelho.
- Oscar, então capitão da equipe, revelou ao repórter que ficaria fora da estreia, informação que ele confirmou após o jornalista perceber a surpresa na escalação.
- Entre os acontecimentos fora de campo, houve encontros com Sócrates e Rubens Minelli para os tradicionais churrascos, e uma despedida marcada por vaia quando o repórter deixou o hotel para o treino matutino.
Faz 40 anos, em Guadalajara, durante a cobertura da segunda Copa do México, quando passei mal com o chamado Mal de Montezuma. Enviado pela Folha, vivia a rotina de guerra de informações entre hotel, centro de treinamento e redação.
Passei uma noite inteira no banheiro, sem forças, até que Carlinhos Brickmann, meu companheiro de quarto, acordou e chamou a Cruz Vermelha. Pensei até em pedir um padre para despedir-me sem pecados deste mundo.
Fiquei afastado por dias, prejudicando a cobertura da seleção brasileira em Guadalajara. Nossos recursos eram limitados: apenas eu e Brickmann; Matinas Suzuki Jr. estava na Cidade do México; Jorge Araújo, o fotógrafo, era único e acumulava funções.
Entre falhas técnicas e fome de apuração
Naquela época, não havia celular nem laptop. As matérias eram enviadas por telex. Um erro de discagem levou o material para outra empresa, revelando a vulnerabilidade logística do jornalismo móvel.
Mesmo assim, consegui um furo quando me restabeleci. Passei a consumir apenas frango assado para evitar pimentas. O retorno à redação trouxe a confirmação de que o time brasileiro era segredo até a escalação oficial.
O mistério sobre o time começou a se desfazer quando Oscar, capitão da defesa, revelou, disfarçadamente, que não jogaria na estreia. Acabei certo: a surpresa marcou a entrada de jogadores na campanha de Telê Santana.
A Copa de 86 mostrou o Brasil lutando para avançar, diferente do brilho de 1982 na Espanha. Sócrates, Falcão e Zico ainda compunham o elenco, mas o futebol não teve o mesmo vigor. O Brasil foi eliminado pela França nas quartas de final, nos pênaltis.
Entre as lembranças, fica a curiosidade de como o grupo vivia após as partidas: o churrasco de Sócrates e Rubens Minelli, com o retorno a um ritmo de convivência que misturava diálogo técnico e amizade. Vida que segue.
Entre na conversa da comunidade