- A AGO votou 11 a 9 contra a aquisição da obra Stendhal Syndrome, de Nan Goldin, levantando a disputa envolvendo Judy Schulich, defensora da decisão. A AGO planejava dividir a compra com a Vancouver Art Gallery e o Walker Art Center, mas desistiu no meio de 2025.
- Schulich, importante doadora da AGO, é alvo de pedidos de demissão; a presença de seu papel na decisão foi reportada pelo Globe and Mail e não houve resposta de sua assessoria em contato com o The Art Newspaper.
- Em resposta ao escândalo, a AGO anunciou a divisão do comitê de curadoria moderna e contemporânea em duas comissões distintas, uma para arte do século XX e outra para arte do século XXI, com previsão para 2026.
- Um carta aberta, com 540 assinaturas até 1 de fevereiro, pede mais transparência e independência curatorial na AGO e a saída de Schulich; o documento é assinado por organizações judaicas e por Goldin.
- O diretor executivo da AGO, Stephan Jost, afirmou que a instituição é um museu público e que há pluralidade de opiniões, destacando que mudanças visam manter o foco na arte e no diálogo respeitoso; o texto também lembra demissões anteriores, como a do curador John Zeppetelli.
O AGO de Toronto abriu mão da aquisição da obra de Nan Goldin após acusações de antisemitismo levantadas por membros do comitê. A decisão foi tomada em meio a controvérsias sobre influências de financiadores. A retirada ocorreu em meio a uma agenda de reformas institucionais.
Judy Schulich, dirigente da Schulich Foundation e financiadora relevante do AGO, foi apontada como instigadora da decisão de não adquirir a obra. Representantes de Schulich não comentaram ao The Art Newspaper sobre o episódio.
A votação ocorreu entre membros do comitê de curadoria moderna e contemporânea, que votou 11 a 9 contra a aquisição. A obra pretendida era Stendhal Syndrome, de Goldin, prevista para venda conjunta com outras instituições.
Após o resultado, o AGO viu a saída de figuras ligadas ao movimento pró-acordo. O curador de arte moderna e contemporânea, John Zeppetelli, renunciou no ano anterior; dois membros voluntários do comitê também deixaram seus cargos.
Reestruturação de governança e mobilização externa
Em resposta, o AGO anunciou a divisão do comitê relevante em duas comissões, uma dedicada à arte do século 20 e outra ao século 21, com previsão de implementação em 2026.
Uma carta aberta pedindo transparência e independência curatorial já circula, com apoio de diversas organizações judaicas e assinaturas incluídas a Nan Goldin. O documento critica a influência de doadores sobre decisões artísticas.
A carta destaca preocupações com padrões de governança no AGO e com acusações de antisemitismo que teriam impactado profissionais e reputação. Também aponta casos anteriores envolvendo desfechos de disputas internas.
Goldin disse que a situação expõe como riqueza e poder podem influenciar decisões institucionais. Além disso, questiona se as prioridades do museu correspondem aos padrões de liberdade artística.
O caso atraiu atenção do setor, com o VAG e o Walker Art Center seguindo adiante com a aquisição conjunta, diferentemente do AGO, que optou pela retirada da transação. O episódio aguarda desdobramentos institucionais.
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