Leila Ghaemi, uma mulher iraniana, foi condenada à morte após estrangular seu marido ao encontrá-lo abusando de sua filha. Ghaemi passou oito anos no corredor da morte na prisão de Qarchak, em Teerã, um local descrito por ONGs como insalubre. Ela foi executada em 2 de outubro de 2024, parte de um aumento alarmante nas […]
Leila Ghaemi, uma mulher iraniana, foi condenada à morte após estrangular seu marido ao encontrá-lo abusando de sua filha. Ghaemi passou oito anos no corredor da morte na prisão de Qarchak, em Teerã, um local descrito por ONGs como insalubre. Ela foi executada em 2 de outubro de 2024, parte de um aumento alarmante nas execuções de mulheres no Irã, que atingiu um recorde de 31 mulheres no ano, segundo a organização Iran Human Rights (IHR).
O relatório da IHR destaca que esse número é o mais alto em 17 anos e reflete uma tendência crescente de uso da pena de morte contra mulheres, especialmente após o movimento “Mujer, vida e liberdade”, que surgiu após a morte de Yina Mahsa Amini em 2022. O diretor da IHR, Mahmood Amiry-Moghadam, afirma que as execuções são uma estratégia do governo para intimidar a população e evitar novas manifestações, especialmente entre as mulheres.
Além de Ghaemi, outras mulheres, como Sharifeh Mohammadi, Verisheh Moradi e Pakhshan Azizi, enfrentam condenações à morte por supostos crimes relacionados à segurança nacional. Todas são defensoras dos direitos das mulheres e alegam ter sofrido torturas. O Irã é o segundo país com mais execuções no mundo, atrás apenas da China, e a maioria das mulheres executadas é condenada por assassinato ou tráfico de drogas, frequentemente em contextos de violência doméstica.
A situação das mulheres no Irã é marcada por discriminação severa, com muitas sendo vítimas de abusos e sem acesso a justiça. O relatório da IHR revela que 241 mulheres foram executadas entre 2010 e 2024, e muitas delas eram de classes sociais baixas e pertencentes a minorias étnicas. A violência de gênero é sistemática, e as mulheres enfrentam barreiras legais significativas, como a impossibilidade de serem juízas e a desvalorização de seu testemunho em tribunal.
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