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Maká lutam pela posse de terras sagradas em meio a tradições ameaçadas no Paraguai

- Os Maká reivindicam 335 hectares em Fray Bartolomé, ameaçados por construção. - Terra foi prometida em 1944, mas nunca formalmente documentada pelo governo. - Comunidade luta para preservar tradições, como danças e canções ancestrais. - Aproximadamente 2.600 Maká vivem no Paraguai, enfrentando desafios culturais. - Líderes Maká afirmam que não desistirão da luta por seus direitos e terras.

Em Asunción, Paraguai, tradições dos Maká, um povo indígena, estão se perdendo com o tempo. Gustavo Torres, professor Maká, relata que os antigos cantos imitam a natureza, levando os homens a lugares como as Cataratas do Iguaçu. Elodia Servín, que fala apenas a língua Maká, recorda com saudade de dançar em Fray Bartolomé de las […]

Em Asunción, Paraguai, tradições dos Maká, um povo indígena, estão se perdendo com o tempo. Gustavo Torres, professor Maká, relata que os antigos cantos imitam a natureza, levando os homens a lugares como as Cataratas do Iguaçu. Elodia Servín, que fala apenas a língua Maká, recorda com saudade de dançar em Fray Bartolomé de las Casas, uma área que sua comunidade reivindica como sua. O governo paraguaio, no entanto, rejeitou a maioria de suas alegações sobre a propriedade de um terreno de 335 hectares, parte do qual foi designada para a construção de uma ponte.

O território foi prometido aos Maká em 1944, através de um decreto do então presidente Higinio Morínigo, como reconhecimento por sua contribuição na Guerra do Chaco. Mateo Martínez, líder Maká, enfatiza que a terra é sagrada para eles, um presente que simboliza a coragem de seus antepassados. Apesar do decreto, os detalhes da doação nunca foram formalizados, e menos da metade das terras prometidas foi concedida. As partes se reúnem regularmente, mas sem chegar a um consenso.

Os Maká são uma das dezenove comunidades indígenas do Paraguai, com cerca de 2.600 membros. Após inundações na década de 1980, muitos foram forçados a se deslocar e não conseguiram retornar. Embora a língua espanhola tenha se tornado comum entre os mais jovens, o Maká ainda prevalece. Martínez menciona que seus antepassados acreditavam nas forças da natureza e em divindades como a estrela Vênus.

As tradições ainda são celebradas, como a festa de transição de jovens para a vida adulta, onde homens bebem chicha e mulheres cantam. Patricio Colman, artesão, relembra os tempos em que os Maká caçavam em grupo. A comunidade lamenta não apenas a perda da terra, mas também a distância dos entes queridos enterrados em Fray Bartolomé. Martínez destaca que, apesar das dificuldades, os Maká são “guerreiros corajosos” e continuarão lutando por seus direitos.

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