Em Goma, na República Democrática do Congo (RDC), mais de 150 mulheres foram estupradas e queimadas vivas durante um motim na prisão de Munzenze, conforme relatado por um porta-voz da ONU. O ataque ocorreu quando detentos masculinos, em fuga após a rebelião, invadiram a ala feminina, resultando em crimes horrendos e na destruição das instalações. […]
Em Goma, na República Democrática do Congo (RDC), mais de 150 mulheres foram estupradas e queimadas vivas durante um motim na prisão de Munzenze, conforme relatado por um porta-voz da ONU. O ataque ocorreu quando detentos masculinos, em fuga após a rebelião, invadiram a ala feminina, resultando em crimes horrendos e na destruição das instalações. A vice-chefe da força de paz da ONU, Vivian van de Perre, confirmou o incidente, que foi classificado pelo governo congolês como um “crime bárbaro”.
O motim levou à fuga de cerca de 4.000 detentos da superlotada penitenciária, deixando-a em ruínas. Este evento trágico é um reflexo da violência sexual que permeia o conflito na RDC, que se arrasta há décadas. A situação é ainda mais alarmante devido ao aumento da violência entre o grupo rebelde M23 e as forças governamentais, que lutam pelo controle de Goma, exacerbando a crise humanitária na região.
Na terça-feira, o M23, que conta com o apoio de Ruanda, anunciou um cessar-fogo humanitário após confrontos que resultaram em centenas de mortes. A coalizão rebelde Alliance Fleuve Congo (AFC), que inclui o M23, declarou a trégua em resposta à crise humanitária provocada pelo governo de Kinshasa. A região leste da RDC é marcada por conflitos entre diversos grupos rebeldes, originados de guerras regionais após o genocídio de Ruanda em 1994.
O M23, que se apresenta como defensor da população étnica tutsi, já havia tomado Goma em 2012, mas se retirou após pressões internacionais. Desde o final de 2021, o grupo tem recuperado força, impulsionado pelo apoio de Ruanda, o que intensifica a instabilidade na região e a vulnerabilidade da população civil.
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