A Conferência Episcopal Venezuelana, que reúne a hierarquia católica do país, divulgou um documento afirmando que a Venezuela “passou de uma autocracia hegemônica a uma autocracia fechada, com todas as consequências que isso acarreta”. O arcebispo de Valencia, Monseñor Jesús González de Zárate, destacou durante a Assembleia Ordinária Plenária a situação dos direitos humanos, a […]
A Conferência Episcopal Venezuelana, que reúne a hierarquia católica do país, divulgou um documento afirmando que a Venezuela “passou de uma autocracia hegemônica a uma autocracia fechada, com todas as consequências que isso acarreta”. O arcebispo de Valencia, Monseñor Jesús González de Zárate, destacou durante a Assembleia Ordinária Plenária a situação dos direitos humanos, a crise econômica e social, além do retrocesso democrático. Ele criticou as eleições presidenciais de 28 de julho, afirmando que foram organizadas “sem garantias” e que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), controlado pelo chavismo, “juramentou Nicolás Maduro sem publicar as atas”.
A declaração da Igreja Católica rompe um silêncio prolongado entre os atores civis do país, que se intensificou após a vitória eleitoral de Maduro e a escalada repressiva do regime. Em um evento acadêmico, o padre Arturo Peraza, reitor da Universidade Católica Andrés Bello, afirmou que “não há como passar a página” sobre os eventos pós-eleitorais, expressando a esperança de que os venezuelanos encontrem uma “zona razoável de negociação” para reconstruir a democracia. O governo de Maduro tem promovido a ideia de sua permanência no poder, consolidando alianças com o empresariado e cooptando vozes minoritárias do campo democrático.
Os meios de comunicação, tanto públicos quanto privados, referem-se a Maduro como presidente, sem críticas diretas a suas decisões. O regime chavista condicionou o reconhecimento de Maduro à continuidade das relações com atores econômicos e civis, prometendo penalizar severamente quem promover o desconhecimento de sua autoridade. O governo tem investido em campanhas publicitárias para promover a vitória de Maduro e reforçar sua imagem. Historicamente, a Igreja Católica teve desentendimentos com o chavismo, especialmente durante o governo de Hugo Chávez, que acusou bispos de conspiração.
A religião católica é a mais praticada na Venezuela, com cerca de 80% da população se identificando como católica. Nas últimas décadas, a proporção de católicos tem diminuído, em parte devido ao crescimento de congregações evangélicas, que receberam apoio do governo de Maduro em termos de infraestrutura e subsídios. O governo organizou eventos com pastores evangélicos que o apoiam, refletindo uma estratégia de fortalecimento de laços com essas comunidades.
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