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Hannah Arendt e Gershom Scholem trocam cartas sobre a banalidade do mal e o sionismo

Correspondência entre Hannah Arendt e Gershom Scholem revela tensões sobre sionismo e a banalidade do mal, desafiando visões divergentes.

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Hannah Arendt e Gershom Scholem trocaram 141 cartas entre 1939 e 1964, discutindo temas como sionismo e a banalidade do mal. Scholem criticou Arendt após ela publicar “Eichmann em Jerusalém”, acusando-a de não ter amor pelo povo judeu e de tratar o julgamento de Eichmann com irreverência. Ele argumentou que as lideranças judaicas durante a guerra tomaram decisões difíceis em situações extremas. Arendt respondeu que seu amor se limitava a amigos e que valoriza mais os indivíduos do que as opiniões que eles têm. A amizade deles, que começou em 1938, enfrentou tensões políticas, especialmente após Arendt criticar a política sionista. Apesar das desavenças, eles continuaram a se corresponder, refletindo sobre suas diferenças e a importância do diálogo.

Entre 1939 e 1964, Hannah Arendt e Gershom Scholem trocaram cerca de 141 cartas, abordando temas como sionismo e a banalidade do mal. A correspondência revela a crítica de Scholem à análise de Arendt sobre o julgamento de Eichmann e a política sionista.

Scholem, historiador do misticismo judaico, acusou Arendt de falta de amor ao povo judeu após ler “Eichmann em Jerusalém”. Ele considerou a tese da banalidade do mal como falta de seriedade e discordou da avaliação das lideranças judaicas durante a guerra. Para Scholem, muitos conselhos judaicos eram formados por pessoas comuns que enfrentaram decisões extremas.

A crítica mais contundente de Scholem se refere ao tom de irreverência de Arendt ao discutir o julgamento de Eichmann. Ele esperava que ela demonstrasse mais “Herzenstakt” (tato do coração) em um assunto tão grave. Em resposta, Arendt reafirmou que seu amor se restringe a amigos, não a coletividades, destacando que “um ser humano é muito mais valioso do que as opiniões que ele sustenta.”

Amizade e Divergências

A amizade entre Arendt e Scholem começou em 1938, mediada pelo filósofo Walter Benjamin. Ambos trabalharam juntos em projetos culturais após a guerra, incluindo a preservação de tesouros judaicos. No entanto, suas divergências políticas se intensificaram na década de 1940, especialmente após a publicação de “Sionismo Reconsiderado”.

Scholem expressou indignação com as opiniões de Arendt, afirmando que seria mais fácil concordar com David Ben-Gurion, primeiro-ministro de Israel, do que com ela. Arendt, por sua vez, questionou se ainda poderiam manter a amizade após tamanha sinceridade. Apesar das tensões, a correspondência entre os dois se tornou um importante registro das ideias de dois influentes intelectuais do século XX.

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