A Ucrânia está sob ocupação russa desde 2014, e a situação se agravou com a invasão em 2022, deixando um quinto do país sob controle da Rússia. Ucranianos que vivem nessas áreas enfrentam pressões para aceitar passaportes russos e correm riscos ao tentar resistir. Mavka, que ficou em Melitopol, notou um aumento na militarização e na imposição da cultura russa, com escolas promovendo o serviço militar. Pavlo, de Mariupol, disse que a cidadania russa é obrigatória para trabalhar ou estudar, e que a recusa em cantar o hino russo pode levar a represálias. Iryna, da Crimeia, não pode mais falar ucraniano em público e relata que crianças são forçadas a cantar o hino russo. Apesar dos riscos, Mavka participa de um movimento de resistência que busca lembrar aos ucranianos que não estão sozinhos. Eles realizam pequenas ações de desobediência, como colocar símbolos ucranianos em locais públicos. No entanto, a repressão é severa, e muitos temem desaparecer sem explicação. A situação é tensa, com preocupações sobre o futuro e a possibilidade de um acordo que mantenha a ocupação russa.
Pressões e Resistência na Ucrânia Ocupada
A ocupação russa na Ucrânia, iniciada com a anexação da Crimeia em 2014 e intensificada em 2022, resultou em um quinto do território ucraniano sob controle russo. Três ucranianos, que vivem em cidades ocupadas, relataram à BBC as pressões para aceitar passaportes russos e os riscos associados à resistência.
Mavka, que reside em Melitopol, decidiu ficar na cidade após a invasão em fevereiro de 2022. Ela observou um aumento na militarização e na “Russificação” local, com escolas promovendo a conscrição e alunos usando uniformes militares. Pavlo, de Mariupol, destacou que a cidadania russa é obrigatória para acesso a trabalho e serviços essenciais. Ele mencionou que a recusa em cantar o hino russo pode levar a represálias da segurança russa.
Iryna, que vive na Crimeia, também optou por permanecer para cuidar de um familiar. Ela relatou que todas as manifestações da identidade ucraniana foram banidas, e o uso da língua ucraniana em público é perigoso. Crianças em creches são forçadas a cantar o hino russo diariamente. Iryna expressou preocupação com a nova geração, que cresce em um ambiente de violência.
Atos de Resistência
A resistência nas cidades ocupadas se manifesta em pequenos atos de desobediência. Mavka participa de um movimento feminino secreto chamado Zla Mavka, que busca lembrar aos ucranianos que não estão sozinhos. O grupo utiliza redes sociais para documentar a vida sob ocupação e realizar ações simbólicas, como a colocação de símbolos ucranianos em locais públicos.
Pavlo, que sobreviveu a um cerco em Mariupol, enfatizou que a preocupação principal é a preservação de suas casas, com muitos imóveis danificados pela guerra. Ele também mencionou que a vida na cidade gira em torno de discussões sobre propriedades e como recuperá-las.
Iryna, por sua vez, compartilhou que a atmosfera de medo é palpável, com relatos de pessoas desaparecendo após serem denunciadas. Ela descreveu um incidente em que um amigo foi interrogado pela polícia devido a falsas acusações de posse de armas.
Medos e Esperanças
Os ucranianos sob ocupação temem que um possível acordo de cessar-fogo possa resultar em uma permanência prolongada da ocupação russa. Mavka expressou que a identidade ucraniana está sendo sistematicamente apagada, e a substituição de locais por pessoas leais ao regime russo é uma preocupação constante.
Enquanto isso, Pavlo acredita que a guerra deve acabar, mesmo que isso signifique perder a chance de retornar à Ucrânia. Ele ressaltou que a vida humana é o mais importante, mas questionou as condições que poderiam ser impostas em um cessar-fogo.
Iryna lamentou o impacto da ocupação nas crianças, que são ensinadas a lutar em vez de construir a paz. Ela relatou um incidente em que uma criança atirou em seu gato com uma bala de borracha, destacando a normalização da violência entre os jovens.
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