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Leila Guerriero revela a história da mais incômoda vítima da ditadura argentina

Leila Guerriero revela a história de Silvia Labayru, sobrevivente da ditadura argentina, em um momento crítico de revisão da memória histórica do país.

A escritora Leila Guerriero durante a Flip em 2017, em Paraty (Foto: Bruno Santos/Folhapress)
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A nova obra de Leila Guerriero, chamada “A Chamada”, fala sobre a vida de Silvia Labayru, uma mulher que sobreviveu à ditadura militar na Argentina. O livro, que será lançado no Brasil pela editora Todavia, revela detalhes pouco conhecidos da história do país. Labayru foi presa em 1976 por fazer parte de um grupo guerrilheiro e sofreu torturas na ESMA, um famoso centro de tortura. Ela estava grávida e deu à luz sua filha em condições muito difíceis. Guerriero mostra que Labayru foi criticada por seus colegas, que a acusaram de traição por se envolver com um grupo de religiosas, o que levou ao sequestro e assassinato de várias pessoas. A autora não apenas conta a história de Labayru, mas também provoca reflexões sobre a memória coletiva e a situação política atual na Argentina, onde muitos relatos de sobreviventes ainda não são ouvidos. Guerriero passou dois anos entrevistando Labayru para entender suas experiências e a complexidade de sua sobrevivência, tornando a obra um convite à reflexão sobre a memória e a verdade histórica no país.

A Chamada, nova obra da escritora argentina Leila Guerriero, explora a vida de Silvia Labayru, uma sobrevivente da ditadura militar na Argentina. O livro, que chega ao Brasil pela editora Todavia, revela aspectos pouco discutidos da memória histórica do país.

Labayru, presa em 1976 por integrar a guerrilha urbana dos Montoneros, foi torturada na Esma, um dos principais centros de tortura da época. Grávida de cinco meses, deu à luz sua filha sob condições desumanas. Guerriero destaca que Labayru foi estigmatizada por seus pares, que a acusaram de traição por ter se infiltrado em um grupo de religiosas, resultando no sequestro e assassinato de várias pessoas, incluindo mães da Praça de Maio.

A obra de Guerriero não apenas narra a história de Labayru, mas também provoca reflexões sobre a memória coletiva e a política atual na Argentina. O lançamento coincide com um governo que minimiza a repressão da ditadura, o que torna a narrativa ainda mais relevante. Guerriero observa que muitos relatos de sobreviventes permanecem fora do debate público, e a história de Labayru é um exemplo disso.

A autora enfatiza que não escreveu o livro para defender Labayru, mas para dar voz a uma história marcada por estigmas. Guerriero dedicou dois anos entrevistando Labayru, buscando entender suas experiências e as complexidades de sua sobrevivência. A obra, portanto, não é apenas uma biografia, mas um convite à reflexão sobre a memória e a verdade histórica na Argentina contemporânea.

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