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Líder do golpe em Mali assume mandato de cinco anos no poder

Gen Assimi Goïta obtém mandato presidencial de cinco anos em Mali, sem eleições, aumentando a repressão e a incerteza política no país.

Gen Assimi Goïta havia prometido o retorno da democracia no ano passado (Foto: EPA)
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  • O líder militar de Mali, Gen Assimi Goïta, recebeu um mandato presidencial de cinco anos, aprovado pelo parlamento de transição.
  • O novo mandato é renovável sem a realização de eleições, o que gera preocupações sobre a repressão à oposição.
  • Goïta, que já tomou o poder em dois golpes de Estado, não cumpriu a promessa de restaurar a democracia.
  • O projeto de lei que garante seu novo mandato permite renovações “quantas vezes forem necessárias” até que o país esteja “pacificado”.
  • A junta militar enfrenta crescente violência jihadista e se afastou da França, buscando aproximação com a Rússia.

Mali vive um momento crítico com a concessão de um mandato presidencial de cinco anos ao líder militar Gen Assimi Goïta, aprovado pelo parlamento de transição. O novo mandato é renovável sem eleições, o que gera preocupações sobre a repressão à oposição e a continuidade do regime militar.

Goïta, que já havia tomado o poder em dois golpes de Estado, prometeu a volta da democracia, mas não cumpriu essa promessa. O projeto de lei que garante seu novo mandato permite renovações “quantas vezes forem necessárias” até que o país esteja “pacificado”. Com isso, o líder militar pode governar até 2030.

A aprovação do projeto foi unânime entre os 131 membros do Conselho Nacional de Transição, que conta com 147 legisladores. O presidente do conselho, Malick Diaw, afirmou que a decisão representa “um grande passo na reconstrução de Mali”. O texto também permite que membros do governo e do legislativo concorram a eleições futuras.

Desde a tomada do poder, a junta militar tem enfrentado uma crescente onda de violência jihadista. Recentemente, ataques simultâneos a postos militares em várias cidades do país evidenciam a fragilidade da segurança. A junta, que já baniu todos os partidos políticos, busca controlar a insurreição jihadista associada ao Estado Islâmico e à al-Qaeda.

Além disso, Goïta tem se alinhado com líderes de golpes em Burkina Faso e Níger, afastando-se da França e buscando aproximação com a Rússia. O líder militar retirou Mali da organização regional Ecowas, que exige a restauração da democracia. A situação política em Mali continua a se deteriorar, com a população temendo um futuro incerto sob o regime militar.

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