- A Cúpula do Brics, que reúne Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul, ocorre no Rio de Janeiro a partir deste domingo.
- A declaração final do encontro criticará restrições comerciais e defenderá o uso de moedas locais em transações internacionais.
- O documento alerta sobre o aumento de tarifas e medidas não tarifárias, que podem desorganizar cadeias de suprimentos.
- Os líderes expressam preocupação com ações unilaterais que distorcem o comércio e são incompatíveis com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).
- A cúpula também discutirá a criação de uma moeda alternativa ao dólar para facilitar o comércio entre os países emergentes.
A Cúpula do Brics, que se inicia neste domingo no Rio de Janeiro, abordará questões cruciais sobre comércio global e a utilização de moedas locais. A declaração final do encontro criticará as restrições comerciais, destacando que essas ações podem prejudicar ainda mais o comércio internacional.
O documento, ao qual O GLOBO teve acesso, não menciona diretamente o presidente dos EUA, mas alerta que o “aumento indiscriminado de tarifas e medidas não tarifárias” representa uma ameaça significativa. A proliferação de ações restritivas ao comércio pode desorganizar cadeias de suprimentos e introduzir incertezas nas atividades econômicas.
Os líderes do Brics, que incluem Brasil, Rússia, China, Índia, África do Sul, Egito, Irã, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Arábia Saudita, expressam preocupações com o aumento de medidas unilaterais que distorcem o comércio e são incompatíveis com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). A declaração surge em um momento crítico, com o fim de uma trégua de 90 dias estabelecida pelos EUA para negociações bilaterais.
Moedas Locais e Desenvolvimento Sustentável
Outro tema relevante na cúpula é a busca por novos mecanismos de financiamento para o desenvolvimento sustentável dos países emergentes. Há um consenso sobre a necessidade de impulsionar transações em moedas locais, o que poderia facilitar o comércio e mitigar os efeitos da volatilidade cambial.
Durante a reunião do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), a presidente Dilma Rousseff enfatizou a importância de ampliar transações em moedas locais. Ela afirmou que isso ajudaria a reduzir a exposição dos países emergentes à volatilidade do mercado global. “Devemos fortalecer o financiamento em moeda local e explorar swaps bilaterais”, destacou Rousseff.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também defendeu a discussão sobre uma moeda alternativa ao dólar para transações internacionais. Embora a criação de uma moeda do Brics esteja em pauta, especialistas consideram que esse é um projeto de longo prazo, especialmente com a inclusão de novos países no grupo.
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