- O Exército de Jesus, uma seita religiosa no Reino Unido, foi fechado em 2016 após investigações sobre abusos e mortes inexplicáveis.
- Um novo documentário da BBC, dirigido por Jon Ironmonger e Ellena Wood, revela que cerca de 600 pessoas sofreram abusos no grupo.
- O documentário destaca o trauma persistente dos sobreviventes, muitos dos quais ainda não reconhecem o que sofreram como abuso.
- A Fundação Fraternidade de Jesus, que cuida dos assuntos do grupo, pediu desculpas às vítimas e implementou um esquema de reparação, oferecendo compensações médias de cerca de 12 mil libras.
- O fundador Noel Stanton e seus apóstolos foram acusados de encobrir os abusos, com Stanton sendo descrito como um “pedófilo predatório”.
Centenas de vítimas de abusos cometidos pelo Exército de Jesus, uma seita religiosa no Reino Unido, estão sendo relembradas em um novo documentário da BBC. Jon Ironmonger e a diretora Ellena Wood revelaram que cerca de 600 pessoas sofreram abusos enquanto faziam parte do grupo, que foi fechado em 2016 após investigações sobre práticas duvidosas e mortes inexplicáveis.
O Exército de Jesus, que reunia milhares de membros em Northamptonshire, apresentava uma fachada de igreja entusiástica, mas a realidade era sombria. Ironmonger, que começou sua investigação em 2016, encontrou relatos de abusos generalizados, incluindo a manipulação de denúncias pela liderança do grupo. Em uma conversa com uma sobrevivente, ele ficou chocado ao ouvir que o número de vítimas poderia chegar a 700.
Abusos e Trauma
O documentário, dividido em duas partes, destaca o trauma persistente dos sobreviventes. Wood entrevistou mais de 80 pessoas, muitas das quais ainda lidam com as consequências emocionais dos abusos. Ela observa que muitos não reconhecem o que sofreram como abuso, frequentemente se culpando. A vida nas casas comunais do culto era marcada por separação familiar e abusos físicos e sexuais.
Wood também comparou a experiência de deixar uma seita à de sair de um relacionamento abusivo, ressaltando a dificuldade de romper laços com a comunidade e o medo das consequências. Um ex-membro, Nathan, admitiu que, mesmo após os abusos, consideraria retornar ao grupo se ele reabrisse.
Revelações e Pedidos de Desculpas
Após o fechamento do Exército de Jesus, a BBC revelou que seu fundador, Noel Stanton, e seus apóstolos encobriram os abusos. Stanton, que morreu em 2009, foi descrito como um “pedófilo predatório” por um ex-ancião. A Fundação Fraternidade de Jesus, que cuida dos assuntos do grupo, expressou perplexidade diante dos abusos e pediu desculpas a todas as vítimas.
Um esquema de reparação foi implementado, oferecendo compensações médias de cerca de 12 mil libras (aproximadamente R$ 89,5 mil) a centenas de vítimas. O documentário busca não apenas expor os abusos, mas também dar voz aos sobreviventes, mostrando que a recuperação é um processo longo e doloroso.
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