- Mais de um milhão de afegãos deixaram o Irã devido a uma campanha de deportação em massa, segundo a Organização Internacional para Migrações (OIM) da ONU.
- O governo iraniano intensificou a retórica contra imigrantes, acusando-os de serem espiões, em meio a sanções e clima de paranoia.
- Em março, Teerã anunciou planos para deportar até dois milhões de afegãos, ignorando os riscos enfrentados por aqueles que retornam, especialmente mulheres.
- Dados da OIM mostram que cinquenta por cento dos afegãos deixaram o Irã por pressão das autoridades, e quarenta e quatro por cento foram deportados entre junho e julho.
- A discriminação contra afegãos aumentou, com candidatos nas eleições presidenciais de 2024 responsabilizando-os pelos problemas econômicos do país.
Mais de um milhão de afegãos foram forçados a deixar o Irã devido a uma intensa campanha de deportação em massa, conforme dados da Organização Internacional para Migrações (OIM) da ONU. O governo iraniano, em meio a sanções e um clima de paranoia, intensificou a retórica contra os imigrantes, acusando-os de abrigar espiões. Desde o cessar-fogo que encerrou a guerra contra Israel, essa ofensiva se agravou, com o regime buscando um “inimigo comum” para unir a população.
Em março, Teerã anunciou a intenção de deportar até 2 milhões de afegãos, desconsiderando os riscos enfrentados por aqueles que retornam, especialmente mulheres. O Irã abriga cerca de 3,8 milhões de refugiados e 1,1 milhão de imigrantes afegãos, tornando-se o país com o maior número de refugiados do mundo. Historicamente, o regime adotou uma postura mais aberta, mas a retórica anti-imigração se tornou parte da propaganda oficial.
Dados da OIM indicam que 50% dos afegãos deixaram o Irã por pressão das autoridades, enquanto 44% foram deportados entre junho e julho, durante o auge da crise. O número de detenções também aumentou, com muitos acusados de colaborar com a inteligência israelense. Campanhas de denúncia contra afegãos sem documentos foram promovidas pelo governo, intensificando a xenofobia.
A discriminação contra afegãos no Irã não é nova, mas se intensificou nos últimos anos. Sahar Fetrat, da Human Rights Watch, destaca que a imagem estereotipada dos afegãos como mão de obra barata alimenta essa desumanização. Nas eleições presidenciais de 2024, candidatos responsabilizaram abertamente os afegãos pelos problemas econômicos do país, e slogans como “Expulsão dos afegãos: uma demanda nacional” ganharam força nas redes sociais.
O Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur) relata que os imigrantes que chegam às fronteiras enfrentam condições extremas, com temperaturas que podem chegar a 52°C. A assistência humanitária é limitada, e a agência teme não conseguir manter o apoio por muito tempo devido a restrições financeiras. Desde a Revolução Islâmica, o Irã já vivenciou pelo menos seis grandes fluxos migratórios de afegãos, refletindo a complexidade das relações entre os dois países.
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