- O G-20 de Johannesburg mantém a gestão multilateral, mas enfrenta divergências entre países que defendem regras e potências que buscam mudar o modelo de poder.
- Houve boicote dos EUA, desprezo da Rússia, ausência do príncipe herdeiro saudita e Argentina não assinou a declaração conjunta.
- Surge um plano de paz para a Ucrânia, elaborado por assessores de Donald Trump, sem participação ucraniana ou europeia, com foco em ganhos para Washington na reconstrução e em recursos.
- Também há perspectivas de benefícios na região de Gaza e em Azerbaiijão-Armenia, com interesse em negócios junto a autocracias suníes.
- A declaração comum do G-20 foi adotada apesar do boicote americano, com Cyril Ramaphosa ressaltando que o bloco não depende de uma única nação e que a liderança sul-africana persevera.
O G-20 realiza-se em Joanesburgo neste fim de semana, destacando o atrito entre uma ordem multilateral baseada em regras e tentativas de deslocá-la em favor de interesses nacionais. A cúpula ocorre sem a participação de Washington, com a reunião marcada para discutir uma declaração comum e temas envolvendo Ucrânia, Gaza e Azerbaijão-Arménia. O alvo principal é manter o funcionamento do grupo apesar das tensões entre membros.
A organização sul-africana enfatiza que o G-20 não depende de uma única nação; a liderança do país anfitrião é destacada. Cyril Ramaphosa afirmou que o bloco permanece unitedo por seus 19 estados e pela União Europeia, enquanto o ministro das Relações Exteriores, Ronald Lamola, ressaltou que o G-20 opera por consenso e não pode ser paralisado pela ausência de alguém.
Plano de paz para Ucrânia
Surge, entre assessores de uma liderança externa, um plano de paz para a Ucrânia sem participação direta do país invadido nem de autoridades europeias. A iniciativa é apresentada como benefício para Washington, com foco em reconstrução e acesso a recursos minerais, segundo relatos. O conteúdo também menciona possíveis ganhos na região de Gaza e em negociações envolvendo Azerbaijão e Armênia.
Contexto geopolítico
A cúpula discute ainda a viabilidade de acordos na região, com observadores apontando que a conjuntura atual favorece ações que promovam interesses econômicos de potências autocráticas. Entre os participantes, há países do Sul Global e europeus que tentam manter o multilateralismo ativo, mesmo diante de questões estratégicas complexas. O documento final apresentado teve 30 páginas e evita compromissos radicais.
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