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Cobri a Cisjordânia no passado; 20 anos depois, vejo que está pior

Visita ao West Bank após vinte anos mostra Ramallah estável, mas economia em queda, 849 postos de controle, assentamentos para 700 mil colonos, demolições e endurecimento militar

A Palestinian demonstrator uses a slingshot to throw stones at IDF vehicles on the outskirts of Ramallah, West Bank, September 2001.
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  • Uma passagem recente pela Cisjordânia, a primeira em vinte anos, mostrou Ramallah relativamente mais calma e com aparência de prosperidade, mas a situação econômica está deteriorada para a maioria da população.
  • O mapa de restrições aumentou, com cerca de 849 postos de controle/obstáculos, em comparação com 376 no fim da segunda intifada, dificultando deslocamentos e o comércio local.
  • Os assentamentos cresceram para mais de 700 mil colonos, em meio à expansão territorial que impacta cidades, vilarejos e áreas agrícolas da West Bank.
  • A economia palestina segue fragilizada: renda per capita caiu cerca de 20% e o desemprego fica em torno de 33%, com denúncias de corrupção e favoritismo na Administração da Autoridade Palestina (Fatah).
  • A presença militar israelense tem aumentado em áreas centrais, com demolições de casas, operações em acampamentos de refugiados e tensões em vilarejos como Umm al-Khair, além de debates locais sobre a possibilidade de uma nova intifada e apoio ou rejeição a o Hamas.

O repórter retornou ao West Bank pela primeira vez em 20 anos e encontrou Ramallah com aparência mais organizada e industrializada, porém cercada por uma realidade econômica desafiadora. A visita, realizada no mês passado, ocorreu menos de três décadas após o período mais violento da segunda intifada.

Entre as mudanças, destaca-se o aumento expressivo de controles de passagem: de 376 postos ao fim da segunda intifada para cerca de 849 hoje, com muitos erguidos nos últimos dois anos. A circulação quase não é mais a mesma, especialmente para agricultores, comerciantes e trabalhadores.

Em Ramallah, a vida cotidiana aparenta normalidade em cafés, lojas e cinemas, mas a narrativa local aponta o peso de restrições de movimento, custos mais altos e insegurança constante. Há consenso de que a economia da região está sob pressão severa, com desemprego elevado e queda no rendimento per capita.

Contexto econômico e político

Relatos de moradores indicam que o funcionamento da Autoridade Palestina, liderada pela Fatah, é marcado por práticas de nepotismo e criticadas pela população. Aiden Canawati, prefeito de Bethlehem, citou críticas à condução política, ressaltando que uma repressão de ações pode afastar apoios a possíveis insurgências.

Os assentamentos israelenses continuam a expandir-se, atingindo mais de 700 mil colonos. O aumento da presença militar e as demolições de casas aparecem como fatores de tensão, principalmente em áreas como Umm al-Khair, onde comunidades enfrentam pressões para deixar suas terras.

Perspectivas locais

Várias entrevistas mostraram divergências sobre a possibilidade de uma nova vaga de violência. Em Birzeit, participantes de um fórum sobre descolonização destacaram desânimo e ceticismo quanto à viabilidade de um estado palestino soberano nos próximos anos.

Apesar de a região manter visível a vida cultural e educacional, o cenário é permeado por relatos de violência esporádica, operações militares e vigilância constante. O debate público envolve Hamas, Fatah e outros atores, com apoio e repúdio variando conforme a localidade.

Desdobramentos de curto prazo

O aumento de operações de rotina por parte das forças de segurança israelenses, incursões em cidades e acampamentos de refugiados, e as demolições de infraestruturas continuam a moldar o dia a dia no West Bank. A população observa com cautela o que pode vir a ocorrer nos próximos meses.

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