- O grupo rebelde M23 tomou a cidade estratégica de Uvira, na provincia de Kivu do Sul, na República Democrática do Congo, resultando em cerca de quatrocentas mortes.
- O Exército Nacional da RDC (FARDC) recuou, com movimentos de retirada para o sul, enquanto os líderes rebeldes apareceram publicamente em Uvira.
- O rompimento do cessar-fogo gerou acusações mútuas: a RDC aponta Ruanda como responsável pela ofensiva; Ruanda nega e responsabiliza o Exército congolês.
- A ofensiva ocorre poucos dias após o acordo de paz entre RDC e Ruanda, assinado em Washington, com mediação dos Estados Unidos.
- A tomada de Uvira intensifica tensões regionais: milhares de congoleses fugiram para o sul e para Burundi, que fechou as fronteiras para refugiados; há temores de envolvimento de Burundi no conflito.
A cidade de Uvira, na província de Kivu do Sul, caiu nas mãos do grupo M23 nesta quarta-feira, após semanas de combates. A ofensiva deixou cerca de 400 mortos e provocou a retirada do Exército congolês, em favor de forças aliadas. A tomada ocorre poucos dias após um acordo de paz entre RDC e Ruanda, mediado pelos EUA em Washington.
Líderes do M23 anunciaram que entraram em Uvira por volta das 11h30, após intensa ofensiva contra o governo local apoiado pelas Forças Armadas da República Democrática do Congo (FARDC) e seus parceiros Mai-Mai Wazalendo. O recuo das tropas congolesas ocorreu para o sul, em direção a Swima, Makobola e Baraka.
O Governo congolês chamou os ataques de violação flagrante do cessar-fogo e dos acordos de paz, pedindo sanções contra Ruanda, alega que o país apoia o M23. Autoridades ruandesas negam envolvimento direto e apontam o Exército congolês como violador do alto el fogo.
Situação em Uvira
Dezessas de milhares de congoleses já migraram para o sul do país e para Burundi, que fechou fronteiras para impedir novos refugiados. Uvira é um porto estratégico que controla o acesso ao lago Tanganica, importante rota de comércio regional.
Desdobramentos regionais
A cidade fronteiriça com Bujumbura aumenta as tensões na região dos Grandes Lagos. Relatos indicam ainda que militares burundeses que lutavam com o exército congolês estariam sob controle de rebeldes, ampliando o risco de escalada.
Contexto político
O acordo de paz assinado em Washington, em 4 de dezembro, previa, entre outros pontos, a retirada de forças ruandesas do nordeste do Congo. Estados Unidos atuaram como mediadores, buscando encerrar décadas de conflito na região.
Olhar internacional
As Nações Unidas e o grupo internacional de contato para a região dos Grandes Lagos alertaram para a necessidade de cessar as hostilidades e evitar desestabilização adicional da região. A comunidade internacional acompanha o desenrolar da crise com atenção.
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