- O conflito entre o exército e as RSF no Sudão provocou o maior deslocamento desde abril de 2023: cerca de 12 milhões de pessoas deixaram suas casas, com mais de três milhões fora do país.
- Alsheikh Haggar, 25 anos, chegou clandestinamente a Madrid, retomou os estudos de engenharia civil e regularizou a situação; ele hoje vive como refugiado em Espanha e destaca que seu caso é exceção.
- Mokhtar Awad, 30 anos, engenheiro elétrico, fugiu por vias terrestres via Chad e Libia, enfrentou golpes de fraude ao tentar chegar à Europa e hoje trabalha na Espanha, amenizando trajetórias paralelas para a Europa.
- A principal dificuldade para chegar à UE é a falta de vias legais e seguras; as políticas de externalização de fronteiras da UE criam rotas irregulares, com uso de traficantes e custos altos.
- Dados da UE mostram aumento de pedidos de asilo entre 2023 e 2024 (cerca de 20 mil) e taxa de aprovação em torno de 70%, com Espanha registrando cerca de 92%, porém as solicitações apenas em consulados costumam não ser aceitas; o debate envolve impactos de financiamentos europeus a países de passagem e o papel de milícias, segundo especialistas.
O conflito entre o exército sudanês e as RSF já provocou o maior deslocamento desde 2023, com cerca de 12 milhões de pessoas afetadas e milhares de mortos. A violência transformou ruas e cidades em cenários de devastação.
Entre os impactados, Haggar Alsheikh, 25, hoje em Madrid, interrompeu a engenharia civil em 2023 e reencontrou os estudos. O caso dele mostra uma rota de refugiados que perdeu hoje a via egyptiana anterior.
Awad, engenheiro de 30 anos, também está em Madrid. Venceu fraudes de tráfego na jornada para a Europa e hoje trabalha como eletricista, além de manter uma empresa de camisetas. Suas trajetórias destacam caminhos alternativos para a UE.
Contexto do deslocamento e rotas
A guerra entre o Exército e as RSF gerou um fluxo contínuo de migrantes, com quem busca proteção longe de casa. Politicas de fronteira e cooperação com terceiros países influenciam as escolhas de quem foge.
Haggar chegou clandestinamente, retomou os estudos e regularizou a situação. O caminho, hoje inviável, passou por Cairo e Cuba, paradas que já não existem desde 2024. Sua história ilustra o que muitos enfrentam.
Awad relata que chegou a Trípoli após deixar Darfur. Em seguida, enfrentou esquemas de tráfico e várias tentativas de atravessar para a Europa, inclusive por via marítima, que resultaram em perdas financeiras significativas.
Desafios e políticas migratórias
As vias legais para a UE são restritas: requerem visto Schengen, com exigências difíceis para quem foge de guerra. Muitas pessoas recorrem a rotas irregulares, arriscando a vida.
Dados mostram que entre 2023 e 2024 houve cerca de 20 mil solicitações de asilo da África, com taxa de aceitação acima da média da UE. Espanha registra índices superiores, mas o processo de visto de trânsito permanece problemático.
A UE investiu em cooperação com terceiros e em controles fronteiriços no Norte da África. Países como Libia, Tunísia e Egito recebem recursos para conter fluxos migratórios, com efeitos controversos sobre direitos humanos.
As críticas apontam que tal cooperação pode fortalecer milícias ou estruturas de repressão, dificultando a busca por refúgio seguro. Organizações humanitárias destacam a necessidade de caminhos legais mais confiáveis.
Cenário no Mediterrâneo e consequências
Mais de 32 mil mortes ou desaparecimentos no Mediterrâneo nos últimos dez anos ilustram o risco extremo da travessia. O güz de migrantes continua incidindo sobre famílias e comunidades sudanesas.
Haggar e Awad representam casos de sucesso relativo, mas o caminho é exceção. Muitos refugiados permanecem em situação precária em países vizinhos ou enfrentam dificuldades para regularizar a residência na UE.
Fontes citadas incluem Médicos sem Fronteiras (MSF) e Acnur, que reforçam a urgência de vias legais viáveis e proteção adequada para quem foge de conflitos.
Entre na conversa da comunidade