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Kristina Gjerde, conhecida como mãe dos mares, falece aos 68

Kristina Gjerde, conhecida como mãe das high seas, morre aos 68 anos e deixa legado na proteção da biodiversidade além das fronteiras nacionais

Kristina Maria Gjerde. Image courtesy of the Deep-Ocean Stewardship Initiative (DOSI).
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  • Kristina Maria Gjerde, advogada e defensora dos oceanos, morreu em 26 de dezembro, aos 68 anos, vítima de câncer pancreático.
  • Foi uma das maiores defensoras da biodiversidade além da jurisdição nacional, trabalhando no Instituto Internacional da Natureza (IUCN) e sendo apelidada de “mãe das águas altas”.
  • Defendia governança das altas seas com precaução, avaliação prévia e contenção de danos, conectando ciência, direito e políticas públicas.
  • Liderou coalizões como a High Seas Alliance e a Deep Sea Conservation Coalition, contribuindo para transformar warnings científicos em bases legais para o acordo global.
  • O Acordo de Biodiversidade Além de Jurisdição Nacional (BBNJ) foi adotado em 2023 e entrará em vigor em 17 de janeiro de 2026, deixando o legado de Gjerde mesmo após sua morte.

Kristina Maria Gjerde, conhecida por sua atuação em defesa dos oceanos, morreu hoje, 26 de dezembro, aos 68 anos, vítima de câncer de pâncreas. Advogada de formação, dedicou grande parte da carreira à proteção da biodiversidade além das fronteiras nacionais.

Ao longo de sua trajetória, atuou no âmbito da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), tornando-se uma das vozes mais persistentes pela governança das águas profundas. Foi apelidada carinhosamente de “mãe dos mares” por sua capacidade de transformar uma demanda complexa em obrigação reconhecida.

Gjerde concentrou seus esforços na expansão da jurisdição além de fronteiras nacionais, diante da pressão de atividades industriais cada vez mais afastadas da costa. Defendia precaução, avaliação de impactos e vigilância como pilares da proteção dos oceanos.

Sua atuação combinou conhecimento jurídico com entendimento científico, mantendo diálogo estreito com oceanógrafos, ecologistas e tecnologistas. Reforçou a ideia de que a biodiversidade não é apenas um apelo ético, mas uma pauta de governança com mecanismos legais.

Entre os marcos de sua carreira, destacou-se a construção de coalizões que deram suporte ao Acordo das Nações Unidas sobre Biodiversidade Além das Fronteiras Nacionais (BBNJ), assinado em 2023. O tratado entrou em vigor em 2026, fruto de décadas de negociação.

Gjerde ajudou a manter a continuidade das negociações por meio de redes como a High Seas Alliance e a Deep Sea Conservation Coalition, que uniram ONGs, cientistas e Estados em torno de textos negociáveis e resistentes a mudanças políticas.

Além de seu trabalho institucional, lecionou direito internacional do mar no Middlebury Institute, levando a prática a sala de aula. Sua abordagem valorizava a paciência e a construção de consenso como ferramentas de mudança duradoura.

Peter Thomson, Enviado Especial da ONU para o Oceano, descreveu sua atuação como “calmamente sensata” e destacu seu compromisso inabalável com a proteção de áreas além das fronteiras nacionais, mesmo diante de longas negociações.

O Acordo dos Mares, que consolidou boa parte de seu esforço, entrou em vigor sem a presença direta de Gjerde, mas carrega consigo seu legado de estruturas, alianças e argumentos consolidados ao longo de muitos anos de trabalho.

Header image: Kristina Maria Gjerde. Crédito: Deep-Ocean Stewardship Initiative (DOSI).

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