- Zelenskyy afirmou que os EUA concordaram em oferecer garantias de segurança “fortes” a Ucrânia por 15 anos, discutidas em encontro com Donald Trump no Mar-a-Lago.
- Após a reunião de duas horas, o futuro da região de Donbas permanece sem solução, e as garantias devem ser votadas conjuntamente pelo Congresso dos EUA e pelo parlamento ucraniano.
- Kyiv considera as garantias críticas para dissuadir nova agressão russa; Zelenskyy citou que promessas anteriores, como o memorando de Budapeste, não funcionaram.
- Trump disse que não enviaria tropas de manutenção da paz; Zelenskyy viu como melhor forma de segurança a presença de observadores internacionais, com possível referendo se houver cessar-fogo de pelo menos 60 dias.
- O Kremlin afirmou que Kiev poderia perder território se não fechar acordo; Zelenskyy rejeitou ceder terras e propôs uma zona desmilitarizada e econômica livre ao longo da linha de frente.
Volodymyr Zelenskyy afirmou que os EUA concordaram em oferecer garantias de segurança fortes a Ucrânia por 15 anos, porém o futuro da região de Donbas permaneceu sem solução após o encontro de duas horas com Donald Trump, em Florida. A entrevista ocorreu durante a viagem de Zelenskyy de volta à Europa.
Segundo o presidente ucraniano, as garantias seriam votadas conjuntamente pelo Congresso dos EUA e pela Parliament da Ucrânia, como parte de um plano de paz com 20 itens apresentado a Trump na residência Mar-a-Lago. Zelesnkyy ressaltou que esses compromissos são vistos como fundamentais para dissuadir nova agressão russa.
Ele reconheceu que promessas anteriores, inclusive o memorando de Budapeste de 1994, não surtiram o efeito desejado. Detalhes sobre os novos compromissos ainda não foram tornados públicos. Trump não se posicionou sobre o envio de tropas de paz.
Zelenskyy afirmou que gostaria de ampliar a duração das garantias para 30, 40 ou até 50 anos, e disse que Trump iria avaliar essa possibilidade. O presidente americano, por sua vez, afirmou que a conclusão de um acordo para encerrar o conflito estaria mais próxima do que nunca.
Pelo lado russo, o porta-voz do Kremlin afirmou que, sem acordo com Kiev, o território pode ser perdido, e recusou comentar sobre a Usina de Zaporizhzhia, sob ocupação russa desde 2022. Zelenskyy manteve a rejeição a ceder território, defendendo uma zona desmilitarizada e econômica ao longo da linha de frente, com retirada de tropas de ambos os lados.
O chefe de Estado ucraniano propôs ainda um referendo nacional para legitimar eventuais concessões, caso um cessar-fogo duradouro de pelo menos 60 dias seja alcançado. Esse mecanismo seria apresentado ao povo ucraniano como forma de expressão da vontade nacional.
Trump participou de ligações com líderes europeus por vídeo direto de Mar-a-Lago, e Zelenskyy indicou planos de novos encontros na Europa, com uma possível segunda reunião conjunta com Trump já prevista para janeiro, possivelmente na Casa Branca.
Os dois lados consideraram as conversas de domingo entre delegações dos EUA e da Ucrânia como produtivas. Em comentário posterior, Zelenskyy destacou que a reunião foi conduzida de forma substantiva, ainda que a distância em relação a um acordo permaneça grande.
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