- O Reino Unido não concede cidadania por nascimento de forma automática; o nascimento no país não garante a cidadania se os pais não forem cidadãos ou residentes permanentes.
- Olu Sowemimo nasceu em 1991 em Londres, cresceu em Kennington e acreditava ser britânico.
- Aos treze anos foi groomed por uma gangue; aos dezesseis foi preso ainda na escola e, aos vinte, recebeu a liberação, mas descobriu que não era cidadão britânico.
- O processo de obtenção de cidadania levou quase quinze anos, com a ajuda da organização PRCBC para contestar a exigência de “bom caráter”.
- Em 2024, aos trinta e dois anos, Sowemimo teve a cidadania aprovada; ele comemorou, porém relatou sentimentos mistos e medo de deportação no passado.
Olu Sowemimo, nascido em 1991 no London’s St Guy’s Hospital, recebeu a cidadania britânica em 2024, após quase 15 anos em limbo. A decisão encerrou um processo que começou na juventude e expõe falhas sistêmicas do sistema de imigração britânico.
Nascido no Reino Unido, Sowemimo descobriu que não era cidadão. A mãe migrante, com visto e sem residência permanente na época do nascimento, acreditava que o filho já era britânico. A revelação foi devastadora para a família.
A situação é comum devido à regra de cidadania por nascimento no Reino Unido: o status dos pais influência o direito do filho. Quem não atende aos critérios pode enfrentar caminho complexo para regularização.
O caso ganhou impulso com a atuação da PRCBC, ONG que milita pela cidadania de crianças nascidas no país. A organização aponta falhas no critério de “bom caráter”, que tem barrado muitos jovens britânicos.
Sowemimo relata medo constante de detenção e deportação durante anos. Mesmo atuando como trabalhador comunitário, enfrentou dúvidas sobre a sua identidade e direitos. O processo de cidadania só começou a se resolver quando houve intervenção jurídica.
A atuação da PRCBC, com a supervisão de Solange Valdez-Symonds, ajudou a reverter a decisão inicial do Home Office, que negava a cidadania por suposto histórico de infração. O caso destacou a importância de documentos que comprovassem o trabalho social do jovem.
Em 2024, aos 32 anos, Sowemimo recebeu a confirmação da cidadania. O anúncio abriu caminho para o primeiro viagem internacional desde a infância, com Fiji como destino pretendido. O passaporte chegou em abril daquele ano.
Agora legalmente britânico, Sowemimo encara o passado com resignação. Ele afirma que a experiência gerou angústia, mas não mudou a percepção de sua identidade. A história levanta o debate sobre mudanças políticas em imigração no país.
A mobilização segue, segundo a PRCBC, para tornar o registro simples para crianças que vivem no Reino Unido há mais de uma década. Enquanto isso, o caso de Sowemimo evidencia a necessidade de garantias para cidadãos por nascimento, sem depender de condições administrativas voláteis.
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