- Movimentos sociais e sindicatos pedem a anulação do decreto que acabou com o subsídio aos combustíveis, com aumentos de até 160% no diesel e cerca de 86% na gasolina, e reajuste de 20% no salário mínimo para mitigar o impacto.
- Uma nova marcha está prevista para sábado, de Calamarca até La Paz, com encontro do governo na segunda-feira para discutir o decreto 5503.
- O decreto, publicado em 18 de dezembro, tem 121 artigos, é apresentado como regime excepcional e temporário, e busca facilitar o investimento privado, reequilibrar as contas públicas e favorecer exportações.
- O governo alega medidas de emergência econômica, energética e social diante da inflação, da escassez de dólares e de combustíveis.
- Crise social inclui protestos, bloqueios de estradas e greve de fome; a COB classifica o pacote como neoliberal e afirma que há pressão para passar o custo para a população.
O governo da Bolívia, liderado pelo presidente Rodrigo Paz, enfrenta a primeira onda de protestos após anunciar o fim do subsídio aos combustíveis. O decreto 5503, publicado em 18 de dezembro, já provocou aumentos de até 160% no diesel e 86% na gasolina, com um reajuste de 20% no salário mínimo para mitigar o impacto. As manifestações ocorrem em um cenário de críticas ao pacote neoliberal defendido pela administração.
Movimentos sociais e a COB prometem intensificar as ações. Parlamentares sindicais afirmam que o decreto transfere custos para a população e questionam a análise do Legislativo. A COB convocou greve geral por tempo indeterminado e conta com apoio de professores e mineiros.
Nova marcha está marcada para este sábado, entre Calamarca e La Paz, com uma reunião do governo prevista para segunda-feira (5) para discutir o decreto 5503. O objetivo é abrir espaço para negociações sobre as medidas que afetam combustíveis, impostos e investimentos.
Contexto do decreto
O texto, apresentado como resposta a inflação e à escassez de dólares, cria um regime excepcional para atrair investimentos privados, reequilibrar as contas públicas e favorecer exportações. O governo afirma que as ações são essenciais para manter abastecimento e finanças públicas estáveis.
Crise e resposta social
Movimentos de rua, bloqueios e greves marcam os protestos. A COB critica o pacote como liberal demais e acusa o Executivo de contornar o Legislativo. O secretário-executivo Mario Argollo reforça que o decreto transfere responsabilidade para a população e para o setor público.
Perspectivas políticas
Especialistas apontam que o decreto representa um marco de chegada ao poder e um rearranjo político após décadas de governos de esquerda. O debate gira em torno de negociações com setores de transporte e impactos econômicos de curto prazo. O vice-presidente Edman Lara rompeu com Paz e passou a oposição.
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