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Esperar resposta internacional ao ataque contra a Venezuela é ilusão

Brasil de mãos atadas e ONU sem ação: ataque de Trump à Venezuela cria precedente perigoso na região e pode favorecer ganhos internos

O presidente dos EUA, Donald Trump, em pronunciamento em 3 de janeiro de 2026. Foto: Jim Watson/AFP
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  • Não há expectativa de resposta concreta da comunidade internacional ou da ONU à agressão dos EUA contra a Venezuela; o Conselho de Segurança tem poder de veto dos EUA, tornando uma condenação improvável.
  • O Brasil aparece com “mãos atadas”, buscando reconstruir laços com Washington, e há protestos modestos na região dentro de limites.
  • A China condena a agressão, mas adota pragmatismo e prioriza seus próprios interesses, incluindo pressões sobre Taiwan.
  • O presidente dos Estados Unidos disse que vai “governar” a Venezuela até uma transição adequada e mencionou que o petróleo pode voltar a fluir com liderança norte‑americana.
  • Ação dos EUA, caso estabeleça precedente, pode ter impactos políticos na América Latina; o cenário regional está dividido entre governos de esquerda e de direita.

A comunidade internacional não oferece resposta concreta à agressão dos EUA contra a Venezuela, segundo Rubens Ricupero. O ex-embaixador brasileiro afirma que líderes mundiais apenas repetem princípios sem efeito prático.

Ricupero aponta que, no Conselho de Segurança, os EUA possuem veto, tornando possível apenas uma eventual condenação que não se matérializa. A avaliação é de que a ONU não deve agir de forma efetiva nesse cenário.

Para o ex-embaixador, a sorte de Nicolás Maduro está selada. A principal questão é a configuração interna de poder na Venezuela e a possibilidade de eleições no curto prazo, caso ocorram mudanças relevantes de força entre as instituições.

A China, segundo ele, mantém posição cuidadosa: condena a agressão, mas segue com pragmatismo alinhado aos seus interesses, incluindo a pressão sobre Taiwan. A postura brasileira é descrita como de margem estreita para reagir.

Em pronunciamento recente, Trump afirmou que governará a Venezuela até a transição adequada, sinalizando a continuidade de ações, porém com tom de contenção para evitar escalada total. Ele divulgou ainda previsões de retorno do óleo venezuelano sob liderança norte-americana.

Na região, a reação é descrita como moderada. O Brasil tem espaço limitado para protestos, dada a política de reconstrução de laços com Washington e sanções que já enfrentou. A avaliação é de que elevação do tom pode complicar relações bilaterais.

O debate internacional é marcado por posição ambígua e por um precedente arriscado: ações militares com justificativas de combate a supostos traficantes, mas com potencial de ampliar tensões geopolíticas na região. A Venezuela fica no centro dessa incerteza.

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