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Após derrubar Hasina jovens de Bangladesh voltam ao establishment político

Jovens do Gen-Z voltam a apoiar forças tradicionais de Bangladesh, com pouca reforma prometida e eleição de 12 de fevereiro sem nova alternativa viável

Sadman Mujtaba Rafid, 25, a student of University of Dhaka, poses for a picture, in Dhaka, Bangladesh, January 3, 2026. REUTERS/Mohammad Ponir Hossain
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  • Após a derrubada de Sheikh Hasina, jovens Gen‑Z participaram dos protestos em 2024, com expectativa de mudanças profundas, mas a eleição de fevereiro, a primeira sem Hasina desde 2008, trouxe dúvidas sobre reformas.
  • A disputa entre a antiga guarda e a aliança estudantil-islamista ganhou força, com Bangladesh Nationalist Party (BNP) e Jamaat‑e‑Islami como opções mais fortes, enquanto o novo Partido Nacional de Cidadãos (NCP) tem enfrentado dificuldades para angariar apoio.
  • Pesquisas indicam que a maioria dos jovens pretende votar, mas veem sem opções novas ou claras além das tradicionais, o que alimenta frustração com o cenário político.
  • O governo interino de Muhammad Yunus não atendeu às expectativas de frear violência e proteger minorias, levando alguns jovens a sentir que o espírito da revolta de julho foi perdido.
  • Entre os eleitores jovens, há quem tenha decidido apoiar a BNP, enquanto outros veem Jamaat‑e‑Islami como alternativa, reforçando a falta de consenso sobre o futuro político do país.

Em 2024, tens de milhares de jovens de Bangladesh foram às ruas para exigir mudanças profundas no país, após anos de repressão e falta de oportunidades econômicas sob o governo de Sheikh Hasina. A mobilização levou à queda da premiêr Hasina, que se exilou na Índia, abrindo caminho para as eleições parlamentares de 12 de fevereiro.

Sadman Mujtaba Rafid, de 25 anos, estudante de Dhaka University, desafiou os pais e a polícia para participar dos protestos. Ele acreditava que as manifestações seriam decisivas para assegurar a democracia contra uma suposta dinastia no poder.

Antes das eleições, a confiança de Rafid diminuiu. Ele disse que esperava mudanças políticas mais robustas, mas considera que o cenário atual está longe do que desejava. A esse grupo se somam muitos jovens insatisfeitos com a ausência de uma alternativa viável ao duelo entre antigos líderes e novas lideranças.

O contexto eleitoral

As eleições devem ocorrer com a participação de 300 cadeiras, em um cenário em que não houve grandes reformas institucionais. A disputa é, em grande parte, entre a Liga Nacionalista do Bangladesh, associada a Khaleda Zia, e o Jamaat-e-Islami, com o apoio de partidos menores. Pesquisas apontam vantagem para as formações estabelecidas, ainda que com desgaste.

Entrevistas com mais de 80 jovens sob 30 anos, principalmente em Dhaka, revelam simpatia inicial pela participação em uma eleição mais livre, mas frustrações com a ausência de candidatos que representem uma mudança real. A expectativa de apoio ao novo Nacional Citizenship Party tem sido baixa entre parte dos eleitores jovens.

A visão de quem está dentro do processo

Alguns jovens veem a aliança entre o NCP e Jamaat-e-Islami como fator de enfraquecimento da atratividade do novo grupo. Há quem afirme que o movimento permanece sem estrutura suficiente para sustentar uma mudança de longo prazo. Outros destacam a atuação de um “antigo guardião” versus uma aliança estudantil com viés religioso.

Para representantes do NCP, a parceria com Jamaat é estratégica e não implica apoio a leis de natureza islâmica. O foco, segundo eles, é cumprir as promessas de renovação para a juventude e manter o impulso democrático visto na década anterior.

Perspectivas entre os eleitores

Apesar das reservas, a maioria dos jovens demonstrou disposição para votar e acredita que o pleito pode abrir caminho para uma governança estável. Há expectativa de um referendo sobre reformas institucionais, incluindo limites de mandato para premiês e maior independência de judiciário e órgãos eleitorais.

Alguns jovens já sinalizam apoio a partidos tradicionais, como o BNP, ou, em alternativa, ao Jamaat-e-Islami, diante da percepção de falta de opções novas. Outros defendem que uma nova cultura política precisa emergir para além dos rótulos antigos.

O que se espera nas próximas semanas

Profissionais e estudantes destacam que o pleito será um momento decisivo para o futuro político do país, com forte participação de jovens que formam parcela relevante do eleitorado. A votação ocorre em um contexto de expectativa por mudanças e de avaliação crítica sobre as lideranças vigentes.

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