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Delcy Rodríguez da Venezuela pode se tornar um Deng Xiaoping latino-americano?

Delcy Rodríguez ameaça abrir economia venezuelana ao estilo Deng Xiaoping, buscando reformas e maior abertura, com risco de aprofundar autoritarismo

Venezuelan children wave flags as they welcome China’s Xi Jinping at Simón Bolívar airport in Caracas in 2014.
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  • Delcy Rodríguez, vice-presidente reinante de Nicolás Maduro, sinalizou uma fase de “reformar e abrir” inspirada no modelo de Deng Xiaoping.
  • Ela defende mudanças nas leis do petróleo para facilitar o acesso de firmas estrangeiras e fortalecer vínculos com Washington, mesmo após o que chamou de “sequestro” de Maduro.
  • Críticos veem a investida como campanha para tornar a líder venezuelana mais aceitável, enquanto há ceticismo sobre mudanças democráticas significativas.
  • O governo já abriu zonas econômicas especiais na Venezuela e Rodríguez tem passado longos períodos em visitas à China, com foco em atrair investimentos e reviver a indústria petrolífera.
  • Analistas ressaltam que, mesmo com abertura econômica, é improvável ocorrer uma thaw política ampla; a comparação com Deng é citada, mas o regime venezuelano permanece sob controle autoritário.

Nicolás Maduro foi substituído por Delcy Rodríguez, sua vice-presidente Sorbonne-educada, após ser removido do poder. Em seu primeiro discurso desde a assunção, Rodríguez sinalizou uma era de reformas e abertura econômica, associada a modelo chinês. A fala mencionou mudanças no setor petrolífero e maior integração com o exterior.

A líder interina afirmou que Venezuela vive um novo capítulo e defendeu a revisão de leis do petróleo para atrair investimentos estrangeiros. Ela citou a intenção de estreitar relações com Washington, apesar de tensões recentes, e afirmou que o país tem direito a relações com China, Rússia, Cuba, Irã e os EUA.

A sugestão de parallels com a prática de Deng Xiaoping, patrona de reformas econômicas na China, foi interpretada por analistas como tentativa de enquadrar políticas venezuelanas em um modelo de fora para dentro, sem abandonar o controle político.

Segundo analistas, a comparação busca legitimar mudanças graduais na economia, mantendo a liderança do partido no poder. Especialistas ressaltam que, apesar da abertura econômica, não há sinal claro de mudanças democráticas profundas.

Desde 2018, Rodríguez tem atuado no governo como ministra da Oil e da Economia, frequentando visitas a China para entender estratégias de crescimento. Em 2023, um enviado de Maduro, Rafael Lacava, expressou apoio a um caminho de transição influenciado pelo modelo chinês.

Para impulsionar a economia, a equipe de Rodríguez tem estudado a criação de zonas econômicas especiais, inspiradas nas áreas de Deng Xiaoping, para atrair investimento externo e reativar a indústria petrolífera, segundo analistas.

Consultados, especialistas observam que a viabilidade de uma abertura econômica semelhante à chinesa depende de condições internas, estabilidade institucional e receptividade de investidores estrangeiros, diante de um contexto de sanções e controle estatal.

Pesquisadores ressaltam que a comparação com Deng Xiaoping é controversa. As reformas na China conviveram com restrições políticas duras, o que, segundo eles, não garante transição rápida para liberdades políticas no país.

A possível viagem oficial de Rodríguez aos Estados Unidos, prevista para os próximos meses, seria a primeira de um presidente venezuelano em mais de 25 anos, sinalizando uma tentativa de normalizar relações e ampliar acordos comerciais.

Analistas indicam que o cenário venezuelano difere do chinês, em especial pela concentração de poder e pelo histórico de violações democráticas. Contudo, alguns apontam que mudanças econômicas podem acontecer sem mudanças políticas amplas.

O debate sobre o rumo de Venezuela permanece aberto. Enquanto líderes ressaltam a necessidade de diversificar a economia e atrair investimentos, críticos alertam para riscos de aprofundar o manejo estatal e limitar liberdades, caso as reformas avancem sem contrapesos.

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