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Primeira arcebispa de Canterbury promete denunciar a misoginia

Primeira arcebispa mulher de Canterbury promete enfrentar misoginia e manter escrutínio sobre salvaguarda, em meio a críticas de líderes africanos

Sarah Mullally holds arms in the air in jubilant gesture in robes
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  • Sarah Mullally foi confirmada como 106ª arcediá da Cantuária, tornando-se a primeira mulher no cargo, em cerimônia na catedral de São Paulo.
  • Ela prometeu denunciar a misoginia e afirmou que discutí-la abertamente é importante, com base em sua experiência como enfermeira-chefe e bispa de Londres.
  • A nomeação recebeu descontentamento de alguns líderes africanos da igreja, em meio a debates sobre a liderança feminina na Comunhão Anglicana.
  • Mullally disse que ouvirá o sínodo sobre bênçãos para casais do mesmo sexo e buscará manter espaço para diferentes visões dentro da Igreja da Inglaterra.
  • Ela se comprometeu a transparência sobre seu histórico de proteção (safeguarding) após uma polêmica envolvendo a gestão de denúncias na arquidiocese de Londres, com uma queixa anteriormente rejeitada.

Sarah Mullally foi confirmada como a primeira mulher a ocupar o cargo de arcebispo de Cantuária, em serviço realizado na Catedral de São Paulo. A nomeação formal tornou-a a 106ª pessoa a assumir o posto, após a cerimônia religiosa que encerrou o processo de indicação. A confirmação ocorre em meio a questionamentos sobre o histórico de salvaguarda da Igreja.

Em entrevista publicada para marcar a assunção, Mullally, ex-enfermeira-chefe, disse que já enfrentou misoginia tanto no mundo secular quanto na igreja e que é essencial discutí-la abertamente. Ela afirmou que o tema deve ser trazido à tona para diálogo.

A nova liderança enfrenta críticas de alguns líderes africanos, que expressaram desaprovação com a nomeação. O arcebispo de Lagos, Henry Ndukuba, destacou a parcela de anglicanos contrários à liderança feminina. Já Laurent Mbanda, de Ruanda, afirmou que a maioria da Comunhão Anglicana ainda vê o episcopado como masculino.

Questionada sobre serviços de bênção para casais do mesmo sexo, Mullally disse que sua função é ouvir o sínodo e manter espaço para diferentes posições dentro da Igreja da Inglaterra. Ela já apoiou a aprovação de bênçãos para casais do mesmo sexo, mas não sinalizou posição sobre serviços independentes nesse tema.

A nova arcebispa também prometeu transparência em relação aos seus critérios de salvaguarda. A predecessora, Justin Welby, deixou o posto após críticas sobre a gestão de casos de abuso. Uma queixa recente foi rejeitada pelo diocese de Londres, alegando que Mullally participou de e-mails sobre as acusações, em desacordo com diretrizes da clericaria.

Grupos de vítimas e defensores de salvaguarda pedem medidas adicionais. A House of Survivors pediu à diocese de Londres que realize um processo de escuta para abordar questões de proteção. Representantes locais destacaram a necessidade de fortalecer a independência de estruturas de salvaguarda.

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