- A segunda rodada de negociações diretas entre Ucrânia, Rússia e Estados Unidos sobre um plano para encerrar a guerra começará em 4 e 5 de fevereiro em Abu Dhabi, anunciou o presidente ucraniano Volodimir Zelensky.
- Zelensky não explicou o motivo do atraso da rodada originalmente prevista para este domingo e afirmou que as datas foram definidas para 4 e 5 de fevereiro.
- Washington diz estar perto de um acordo para encerrar o conflito; a Rússia busca controle total da região leste de Donetsk e ameaça agir pela força se as negociações falharem.
- A Ucrânia afirma que ceder território incentivaria a Rússia e não assinará acordo que não dissuada nova invasão.
- Ataques na madrugada de domingo em Zaporizhzhia deixaram duas pessoas mortas e sete feridas; o ministro da defesa ucraniano agradeceu a Elon Musk e à SpaceX por medidas para impedir uso indevido do Starlink pelos drones russos.
A segunda rodada de negociações diretas entre Ucrânia, Rússia e os Estados Unidos para discutir um plano norte-americano que vise encerrar quase quatro anos de conflito na Ucrânia foi adiadda para a próxima quarta-feira e quinta-feira, 4 e 5 de fevereiro, em Abu Dhabi. A informação foi anunciada pelo presidente ucraniano Volodimir Zelensky. O encontro originalmente estava previsto para este domingo, 1º, mas houve atraso sem explicação oficial.
Zelensky confirmou, pela rede X, que as novas datas foram definidas para 4 e 5 de fevereiro em Abu Dhabi. Até o momento, os governos russo e norte-americano não confirmaram oficialmente o adiamento ou as datas. Washington afirma estar próximo de fechar um acordo para encerrar o conflito, considerado o mais letal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. O principal entrave permanece na disputa territorial entre as partes.
A Rússia ocupa quase 20% do território ucraniano e pressiona pela consolidação do controle sobre a região leste de Donetsk, com a possibilidade de atuar pela força caso as negociações fracassem. A Ucrânia, por sua vez, afirma que ceder território pode incentivar Moscou a avançar novamente e não aceitaria um acordo que não imponha dissuasão eficaz contra nova invasão. Num quadro de resistência, muitos ucranianos veem como inaceitável abrir mão de territórios que seus soldados defendem há anos.
Em Abu Dhabi, já aconteceu um primeiro ciclo de negociações nos dias 23 e 24 de janeiro, reunindo delegações de Ucrânia, Rússia e EUA. As partes não anunciaram um acordo ao final desse encontro inicial. Paralelamente, o embaixador russo para assuntos econômicos, Kirill Dmitriev, participou de reunião na Flórida com o enviado especial americano Steve Witkoff, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, o genro do ex-presidente Trump, Jared Kushner, e o conselheiro da Casa Branca, Josh Gruenbaum. As autoridades não divulgaram detalhes das conversas.
Na avaliação do conflito, a Rússia descreve sua ação de fevereiro de 2022 como uma operação militar especial para conter a expansão da Otan. A Ucrânia vê a justificativa como pretexto para anexação de território. O conflito já causou destruição generalizada e dezenas de milhares de mortos, entre militares e civis.
Ataques na madrugada de domingo atingiram a Ucrânia, deixando ao menos duas pessoas mortas e sete feridas. Um drone atingiu uma maternidade na cidade de Zaporizhzhia, no sul, ferindo duas mulheres que estavam em exames médicos. O ministro da Defesa ucraniano expressou gratidão a Elon Musk e à SpaceX pelas medidas tomadas para impedir o uso indevido das redes Starlink por drones russos. A resposta de Musk sinalizou disposição para novas ações, caso necessário. Segundo a inteligência ucraniana, os terminais Starlink usados pelo Exército russo teriam origem em circuitos paralelos, não por venda formal da empresa.
Entre na conversa da comunidade