- O artigo questiona o fim da “ordem internacional baseada em regras”, citando ações dos EUA e da Rússia que parecem abandonar o multilateralismo.
- Mark Carney, primeiro-ministro canadense, discursou em Davos defendendo valores democráticos e o Estado de direito, ao mesmo tempo apontando ruptura da ordem internacional e a necessidade de novas soluções.
- Carney recorre a Tucídides e Václav Havel para defender um “realismo baseado em valores” e pede que governos e empresas tirem seus cartazes, evitando a ilusão de continuidade.
- Defende um pragmatismo diplomático: cooperação entre coalizões com base em interesses comuns, ampliar parcerias estratégicas (China, Catar, Índia, Mercosul) e evitar escolhas de fronteira rígidas.
- O texto analisa o Conselho da Paz como possível substituto da ONU, discutindo poder do presidente norte‑americano, condições de ingresso e financiamento, e a relação com o direito internacional no novo cenário.
Diversos acontecimentos recentes alimentam o debate sobre o fim da “ordem internacional baseada em regras”. Ações dos EUA, como intervenção na Venezuela, tarifas e tensões com a Groenlândia, ganham leitura de abandono do multilateralismo. Rússia e a guerra na Ucrânia também entram na análise, conforme o pano de fundo.
No Fórum de Davos, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, chamou a atenção ao apresentar um diagnóstico sobre a ordem global. Seu discurso mistura defesa de democracia e Estado de direito com a identificação de uma ruptura plena da ordem internacional, exigindo novas soluções.
Carney sugere que vivemos uma era de rivalidade entre grandes potências, embora sem mencionar nomes específicos. O tom reconhece que aliados dos EUA alimentaram ilusões sobre reversões eleitorais que poderiam frear a dinâmica atual.
Referência histórica e crítica ao conformismo
O premiê canadense cita Tucídides ao lembrar que forças fortes atuam conforme seus interesses e os mais fracos sofrem consequências. Relembra também Václav Havel, criticando a ideia de acomodação como forma de evitar conflitos.
Para Carney, o pragmatismo atual não basta. Ele aponta que a convivência com normas internacionais nem sempre é igual para todos, e que regimes autoritários exploram brechas para contornar o direito internacional.
Realismo baseado em valores
O conceito central é um “realismo baseado em valores”: aceitar a nova política global sem abandonar a cooperação. Carney alerta para cadeias de suprimentos, tarifas e infraestrutura como ferramentas de pressão que fortalecem a autonomia estratégica.
O Canadá, segundo ele, precisa adaptar-se sem erguer muros. A leitura enfatiza que não há retorno à antiga ordem, e que coalizões entre países com interesses comuns devem orientar ações conjuntas.
Conselho da Paz e a ideia de nova governança
Foi apresentado o Conselho da Paz (CP) em Davos, com 60 países convidados. A proposta é descrita como uma alternativa à ONU, priorizando investimento para a paz e destacando decisões sob influência do chefe de Estado participante.
Críticos apontam que o CP não tem secretário-geral, e o poder decisório fica muito centralizado, condicionado à vontade política dos Estados. A instituição é vista como um novo formato de governança internacional, mais orientado a interesses do líder dominante.
O direito internacional em debate
Especialistas discutem se o CP sinaliza revogar o direito internacional existente desde 1945. Alguns autores o veem como uma forma de limitar o direito vigente, enquanto outros apontam que o quadro atual já se diferencia pela influência de líderes autocráticos.
A discussão envolve avaliações sobre como lidar com recursos, soberania e uso da força. A análise ressalta que a prosperidade econômica não garante paz, especialmente quando a estabilidade depende de fatores políticos internos.
©2026 Aceprensa. Publicado com permissão. Original em espanhol: El fin del viejo orden internacional
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