- Plan da gestão de Gaza, chamado Board of Peace, prevê governança via conselho executivo e comitê technocrático palestino nomeado pelos EUA, com representantes regionais, buscando reconstrução mesmo diante de ceticismo.
- Quatro meses após a trégua, a condição humanitária permanece grave: Israel controla cruzamentos e zonas “verdes”/“vermelhas”, limitando ajuda e espaço de atuação das agências.
- Realidades vividas: pelo menos 10 crianças morreram de hipotermia; serviços básicos em colapso e hospitais prejudicados; cerca de 95% da população vive na zona vermelha.
- Fluxo de ajuda é inadequado: reduções na entrada de alimentos, custos com importação via “taxas de coordenação” elevam a inflação; metas de caminhões de ajuda são inferiores às necessidades.
- Compromissos do Board: priorizar alívio humanitário, evitar relocation em massa ou modelos de villages, permitir medidas objetivas de acompanhamento e empoderar o comitê technocrático com autoridade sobre orçamento, compras e serviços municipais.
O governo de Donald Trump apresenta, há semanas, planos para Gaza que ganham contornos mais claros. Em Davos, foi exibida a ideia de um “New Gaza” com um Board of Peace governando a região, ao lado de um comitê técnico palestino nomeado pela administração dos EUA. A proposta prevê participação de representantes regionais e de autoridades locais.
A operação buscará manter o controle e facilitar a reconstrução, mesmo diante da crise humanitária que persiste desde o fim do cessar-fogo. Atividades de ajuda têm enfrentado restrições, e o espaço operacional para ONGs e agências humanitárias diminuiu nos últimos meses. A população permanece sujeita a um regime de permissões israelense que agrava a privação.
O cenário no terreno continua marcado pela devastação e pela insegurança. A trégua, vigente desde outubro, não conseguiu assegurar condições estáveis de abastecimento, abrigo ou serviços básicos. Crianças já registram impactos graves por desnutrição e condições precárias de saúde.
Entre os atores, destacam-se autoridades norte-americanas que defendem a desmobilização do Hamas e a melhoria imediata de aidência humanitária. Analistas ressaltam que demobilização não é processo rápido e pode retardar a ajuda necessária para cerca de 2 milhões de pessoas.
Além disso, o relatório aponta que a situação é agravada pela restrição de movimentos, pelo controle de pontos de passagem e pela dificuldade de importação de itens essenciais. A região permanece dividida entre zonas de controle e áreas com acesso limitado a bens, água e energia.
A realidade local também envolve dificuldades de governança e de financiamento. Grandes agências enfrentam risco de interrupção de operações, após a expiração de autorizações para atuação na faixa de Gaza e na Cisjordânia. A saída de organizações como Médicos Sem Fronteiras e outros pode comprometer serviços de saúde, água e abrigo.
Desdobramentos humanitários
Especialistas destacam a necessidade de metas objetivas para monitorar a situação de forma semanal. Entre elas, abertura previsível de pontos de passagem, entrada estável de itens essenciais e permissão de movimentação para atores humanitários. A observação é que números de caminhões não traduzem plenamente as necessidades.
A proposta de um retorno rápido a serviços básicos depende da capacidade do comitê técnico de gerenciar orçamento, compras de insumos e coordenação de energia, água, saneamento, saúde e abrigo. Sem melhoria perceptível nesses serviços, o esforço pode perder eficácia.
O texto enfatiza que planos de realocação forçada ou de villages-model não devem avançar, e que os recursos de recuperação precisam chegar às comunidades habitadas, com foco em reparos habitacionais e remoção de escombros. A confiança da população depende de resultados tangíveis em curto prazo.
A avaliação final aponta que o cessar-fogo, visto como ruptura com o passado, ainda não alterou significativamente a vida diária. O desafio é claro: o Board of Peace precisa demonstrar ganhos reais para os civis para justificar otimismo cauteloso.
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