- EUA e Irã iniciam em Omã negociações sobre o programa nuclear iraniano, vistas como uma das últimas tentativas de evitar um ataque americano.
- As conversas são as primeiras desde os ataques de junho, que acompanharam a fase final de uma campanha de bombardeio israelense.
- Washington pretende ampliar as tratativas para incluir mísseis balísticos, apoio a grupos na região e “tratamento de seu próprio povo”, mas Teerã quer discutir apenas o nuclear, pelo menos inicialmente.
- As negociações ocorrem em meio a advertências de Donald Trump de possível ataque militar caso não haja progresso, com reforço da presença naval dos EUA na região.
- O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, enfrenta o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, e Jared Kushner, em preparação para as conversas.
Os EUA e o Irã iniciarão negociações de alto risco sobre o programa nuclear iraniano, em Omã. As conversas, vistas como uma das últimas oportunidades de evitar um novo ataque americano, acontecem em meio a tensões regionais e a uma maré de advertências militares.
O governo de Teerã busca garantias de que as tratativas não visam mudança de regime. Do lado americano, Washington pretende ampliar o tema para mísseis balísticos, apoio a milícias regionais e tratamento à população, mas admite começar pelos aspectos nucleares.
As negociações ocorrem após ataques israelenses em junho e semanas de pressão dos EUA, que aumentaram sua presença naval na região. A violência contra manifestantes no Irã intensificou a contenda, aumentando a pressão para um acordo.
Participantes e posições
Abbas Araghchi, ministro das Relações Exteriores do Irã, atua como negociador com mais de 20 anos de experiência. Do lado dos EUA, estão o enviado especial Steve Witkoff e o genro do presidente, Jared Kushner, em papel de assessoria.
O Irã quer garantias de que o acordo nuclear não será usado para justificar regime de mudanças externas. As conversas anteriores terminaram abruptamente em junho, após ataque israelense que devastou instalações nucleares e deixou centenas de mortos.
Teerã rejeita transferir as negociações para Turkey e exige participação de ministros de Qatar, Turquia, Emirados Árabes, Egito e Arábia Saudita apenas se houver acordo com o Irã. A presença regional dos ministros mostra a preocupação com a segurança nacional ligada ao acordo.
Quadro econômico e regional
O rial iraniano perdeu metade de seu valor frente ao dólar desde os ataques de junho, agravando a inflação e o custo de vida. Irã busca alívio de sanções em troca de um novo regime de inspeções em seus sites nucleares e cooperação técnica regional.
O país defende direito de enriquecer urânio em solo nacional, previsto no acordo de 2015 que hoje está abandonado. Uma proposta de compromisso envolve suspender parcialmente o enriquecimento por anos, com criação de um consórcio regional para enriquecer o combustível.
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