- Em seis países europeus — Dinamarca, França, Alemanha, Itália, Espanha e Reino Unido — a opinião sobre os EUA ficou mais desfavorável após a proposta de Groenlândia.
- A parcela desfavorável varia entre 62% (França) e 84% (Dinamarca), sinalizando queda na percepção de os EUA serem um aliado.
- Na Dinamarca, apenas 26% ainda veem os EUA como amigo/aliado, frente a 80% em julho de 2023.
- Muitos concordam com o diagnóstico de que a Europa depende demais da defesa dos EUA e da imigração, mas discordam de críticas à livre expressão e de desequilíbrios comerciais.
- Sobre Groenlândia, a maioria (41% a 55%) entende que a autonomia europeia deve ter prioridade sobre a aliança transatlântica; há apoio limitado a ampliar defesa e ajuda à Ucrânia, sem redução significativa de relações com os EUA.
O conjunto de resultados de uma pesquisa da YouGov indica que ocidentais europeus passaram a rejeitar de forma expressiva a atuação dos Estados Unidos sob a gestão de Donald Trump. A sondagem, que acompanha a opinião pública desde 2016, aponta queda acentuada desde novembro e revela antipatia crescente entre seis países.
Entre Dinamarca, França, Alemanha, Itália, Espanha e Reino Unido, a maioria expressa vividamento uma visão desfavorável dos EUA. O índice varia de 62% na França a 84% na Dinamarca, onde Greenland é território autônomo. O recuo da imagem americana é maior desde a última rodada, com mudanças significativas em todos os países.
Mudança de percepção e impacto regional
A pesquisa mostra ainda que o número de europeus que não vê os EUA como aliado vem aumentando, com queda expressiva na confiança em Washington desde a última sondagem. Em julho de 2023, por exemplo, 80% dos dinamarqueses consideravam os EUA como amigo; hoje, menos de 26% compartilham essa avaliação.
Os europeus tendem a concordar, em grande parte, com diagnósticos da administração sobre defesas dependentes dos EUA, imigração e atuação no cenário global. Contudo, discordam amplamente da ideia de que governos europeus restringem a liberdade de expressão, e rejeitam a noção de que o bloco é injusto em acordos comerciais com os EUA.
Partes da classe política europeia têm defendido ao menos maior uso do poder econômico da União Europeia frente aos EUA, mas a sondagem indica que muitos respondentes veem a potência europeia ainda menor em termos econômicos, diplomáticos e militares.
Entre 63% e 78% dos entrevistados consideram que a defesa e a paz na Europa ainda dependem dos EUA, enquanto 49% a 64% percebem a prosperidade europeia como relação semelhante. Em caso de ruptura das relações transatlânticas, a maioria apoia aumento de gasto com defesa.
Apesar disso, o escrutínio sobre Greenland parece ter concentrado o pensamento europeu: de 41% a 55% sustentam que a autonomia europeia deve ter prioridade sobre a preservação da aliança transatlântica.
As respostas indicam disposição de manter relações com os EUA em termos gerais apenas com ajustes, como contenção de imigração, que fica entre os itens mais apoiados. A defesa nacional deve crescer para manter o apoio norte-americano em alguns países, mas não há consenso sobre ampliar ajuda a Ucrânia.
O levantamento aponta também que a maioria não apoia afrouxar regras sobre discurso de ódio, adotar políticas comerciais alinhadas aos EUA ou financiar integralmente as forças armadas norte-americanas na Europa. A dissonância entre os blocos permanece evidente.
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