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Ao vencedor, as batatas: gesto simbólico em disputa

Brasil, México e Chile apoiam Bachelet para dirigir a ONU, em meio a crise orçamentária e ao descrédito do sistema multilateral

Abacaxi. Bachelet seria a primeira mulher a ocupar a secretaria-geral da organização. Guterres será lembrado pela apatia e a impotência no cargo – Imagem: Jean Marc Ferré/ONU, Manuel Elías/ONU e Ricardo Stuckert/PR
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  • Brasil, México e Chile deram apoio conjunto a Michelle Bachelet para secretária-geral da ONU no início de fevereiro.
  • Se eleita, pode ser a primeira mulher no cargo, em meio à maior crise financeira e de prestígio da história da ONU, com 41 Estados inadimplentes e dívida dos EUA de cerca de 2,2 bilhões de dólares.
  • Potências europeias reforçam o multilateralismo; líderes como Emmanuel Macron defendem a ordem internacional, enquanto Lula também enfatiza o papel do sistema baseado no direito.
  • Para ser aprovada, Bachelet precisará de maioria na Assembleia-Geral e superar vetos dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança (Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido e França).
  • Mesmo com apoio e possível vitória, a ONU enfrenta problemas financeiros graves; sem recursos, a organização corre o risco de operar com menos capacidade, podendo afetar a sede em Nova York.

Ao início de fevereiro, Brasil, México e Chile entraram com apoio conjunto à candidatura de Michelle Bachelet para ocupar a secretária-geral da ONU. A ex-presidente do Chile busca suceder António Guterres, em um cenário marcado por crises diplomáticas e orçamentárias dentro da organização.

A escolha é vista como aposta da esquerda latino-americana para enfrentar ataques ao multilateralismo e a riscos de neocolonialismo europeu. Lula elogiou a experiência de Bachelet, que já foi Alta-Comissária de Direitos Humanos da ONU e diretora-executiva da ONU Mulher. Resta saber como reagirão os membros permanentes do Conselho de Segurança.

Contexto financeiro da ONU

A ONU enfrenta um déficit orçamentário grave, com 41 dos 193 Estados inadimplentes, incluindo os EUA, cuja dívida soma 2,2 bilhões de dólares. O ambiente financeiro fragilizado aumenta a pressão sobre qualquer futuro administrador da organização.

Analistas apontam dificuldades em obter apoio amplo para reformas estruturais, especialmente diante de tensões entre EUA e aliados europeus sobre financiamento e legitimidade do sistema multilateral. Em Davos, líderes destacaram a necessidade de fortalecer o Pacto Internacional.

Posição de Bachelet e cenário internacional

Bachelet é considerada pela imprensa como candidata com contrapartidas negativas para alguns atores globais, incluindo EUA e China, que discrepam com parte de seu histórico e posicionamentos. Comentários apontam que, mesmo com apoio político, obter votos na Assembleia-Geral e driblar veto no Conselho de Segurança será desafiador.

Caso seja eleita, a gestão enfrentará a tarefa de lidar com a deterioração do direito internacional e com o risco de fechamento de serviços essenciais caso o orçamento se esgote. A conjuntura sugere que a pessoa escolhida terá de lidar com escombros financeiros, independentemente de credenciais.

Repercussões regionais e nacionais

No Brasil, o governo tem sinalizado uma posição de defesa de reformas no sistema, tendo zerado dívidas com a ONU, o que facilita a defesa de mudanças institucionais. No entanto, o porte da reforma dependerá de condições fiscais internas, especialmente em ano eleitoral.

A candidatura de Bachelet representa uma coordenação regional que pretende ampliar a influência latino-americana na organização. O tema envolve também a avaliação de como a ONU pode manter relevância em um cenário de impasses entre grandes potências.

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