- Um alto funcionário dos EUA informou novos detalhes sobre uma suposta explosão nuclear subterrânea da China em junho de 2020, medida pela estação sísmica PS23 no Cazaquistão a aproximadamente 450 miles de Lop Nor, na China (22 de junho de 2020).
- O assistente do Departamento de Estado, Christopher Yeaw, disse que há pouca possibilidade de o evento ter sido outra coisa que não uma explosão, e que os dados não são consistentes com mineração nem com terremoto.
- O Organização do Tratado de Proibição de Testes Nucleares (CTBTO) afirmou que há dados insuficientes para confirmar com confiança a alegação.
- O CTBTO explicou que a estação PS23 registrou dois eventos sísmicos muito pequenos, separados por 12 segundos, muito abaixo do nível de detecção para testes nucleares.
- O presidente dos Estados Unidos pressiona a China a negociar um substituto para o tratado New START. A China nega ter realizado o teste; especialistas estimam que o país possui mais de 600 ogivas e planeja ampliar o arsenal para além de mil até 2030.
O Departamento de Estado dos EUA revelou detalhes considerados novos por um alto funcionário sobre um suposto teste nuclear subterrâneo realizado pela China em junho de 2020. Segundo o assistente do secretário de Estado, Christopher Yeaw, uma estação sísmica remota no Cazaquistão registrou uma explosão de magnitude 2,75, localizada nos terrenos de Lop Nor, no noroeste da China, em 22 de junho de 2020.
Yeaw afirmou que os dados revisados indicam, em sua avaliação, que se tratou de uma única explosão e não correspondem a blasts de mineração. Também não são compatíveis com um terremoto, segundo o oficial, que é ex-analista de inteligência e doutor em engenharia nuclear. A avaliação dele contrasta com a visão de especialistas que entendem haver incerteza suficiente para confirmar um teste nuclear.
Dados e limites da CTBTO
O Organismo Internacional responsável pelo monitoramento CTBTO informou que há dados insuficientes para confirmar com confiança a alegação de Yeaw. A organização destacou que o sistema global pode detectar eventos com viradas de potência equivalentes a 500 toneladas de TNT ou mais, mas os dois eventos registrados em PS23, no Cazaquistão, foram considerados muito abaixo desse nível para confirmar a natureza do ocorrido. Os registros mostram dois eventos sísmicos separados por 12 segundos em 22 de junho de 2020.
A embaixada da China em Washington não respondeu de imediato a pedidos de comentário sobre o assunto. A China nega ter realizado testes nucleares subterrâneos, repetindo que não executou esse tipo de explosão após a última sessão oficial de 1996.
Contexto energético e estratégico
Caso seja confirmado, o suposto teste ocorre em meio às pressões do governo dos EUA para que a China participe de um novo acordo de controle de armas, em substituição ao New START, que expirou em 2026. A Administração Trump tem buscado alinhamento com aliados para renegociar limites nucleares envolvendo China, EUA e Rússia, em um cenário de instabilidade estratégica.
O Pentágono mantém estimativas de que a China possui mais de 600 ogivas operacionais e projeta aumento para acima de 1.000 armas até 2030. A China sustenta que seu arsenal estratégico é menor que o dos dois outros maiores possuidores de armamento nuclear.
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