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Brasileiros na Rússia recorrem a VPN para contornar bloqueios de redes sociais

Brasileiros na Rússia recorrem à VPN para contornar bloqueios do WhatsApp e Telegram, enquanto o governo promove aplicativo estatal sem criptografia

Imagem de Paola e Clarissa, brasileiras que moram na Rússia. — Foto: Acervos pessoais
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  • A Rússia bloqueou totalmente o WhatsApp no dia 12 de fevereiro; o Telegram passou a ter restrições gradualmente anunciadas anteriormente.
  • Alega-se uso das plataformas para conteúdos criminosos; as empresas criticam como retrocesso à liberdade de expressão.
  • Brasileiros na Rússia já utilizam VPN há anos para contornar bloqueios; Paola paga cerca de R$ 10 por mês e mantém contato diário com o Brasil.
  • O funcionamento da VPN permite acessar o WhatsApp, mas a rede exige atualização constante de serviços; em teste, sem VPN a mensagem não chegou.
  • O governo promove o aplicativo Max, sem criptografia, enquanto universidades teriam pressionado estudantes a instalá-lo para provas; muitos alunos não seguiram a orientação.

O governo russo anunciou o bloqueio total do WhatsApp na última quinta-feira, 12 de fevereiro, conforme parte de uma ofensiva contra plataformas de mensagens. A medida ocorreu pouco depois de sinalizar que começaria a restringir gradualmente o Telegram.

A Rússia afirma que as plataformas são usadas para propagar conteúdos criminosos. As empresas dizem tratar-se de ataque à liberdade de expressão. Na prática, a mudança afetou pouco os brasileiros que vivem no país, acostumados a usar VPN para contornar proibições.

Paola Loureiro, 25 anos, mineira que faz mestrado em Moscou, confirma o uso frequente de VPN. Ela passou a pagar por um serviço em setembro de 2025, após novas limitações de voz e vídeo no WhatsApp e Telegram.

Segundo a Meta, dona do WhatsApp, o aplicativo tem mais de 100 milhões de usuários na Rússia. Para Paola, a VPN é simples: baixar o app e manter ligado. A maior dificuldade é a burocracia quando surgem bloqueios.

Clarissa Ribeiro, 25 anos, pernambucana, está na Rússia para estudar medicina veterinária. Ela também usa VPN desde a chegada, migrando para opções pagas no fim de 2025 para melhorar a conexão.

Essa estudante entendeu apenas recentemente que o bloqueio afetava o WhatsApp sem a VPN. Ao testar, uma mensagem enviada sem a VPN não chegou; ao reativar, chegou. Telegram segue sensivelmente mais lento sem VPN.

O Telegram permanece acessível com a VPN, mas a velocidade caiu nesta semana. Já Instagram e Facebook continuam bloqueados sem o túnel criptografado. Universidades e estudantes não dependem apenas de redes estrangeiras.

Paralelamente, a Rússia promove o aplicativo Max, inspirado no WeChat, que permite serviços governamentais. Diferentemente de WhatsApp, o Max não tem criptografia e é alvo de críticas sobre privacidade.

Paola e Clarissa dizem que o Max é mais comum entre pessoas mais velhas. Universidades teriam pressionado estudantes a instalar o app para provas, mas as alunas não obedeceram. A maioria, porém, concluiu os exames normalmente.

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